Ações: destaque para papel e celulose

As empresas de papel e celulose e petroquímica, pela primeira vez na década, deverão ter rentabilidade tão excepcionais, que conseguirão ultrapassar a dos bancos, recordistas nos últimos anos em retorno sobre o patrimônio. Com base nos balanços do primeiro semestre, a consultoria Sirotsky & Associados projeta que a rentabilidade média, até o fim do ano, as empresas do setor de papel e celulose pode atingir 19,27%, enquanto os bancos prometem uma performance em torno de 15,30%.Preços do papel e celulose melhoraram no mercado externoOs preços de papel e celulose e de produtos petroquímicos melhoraram muito no mercado externo. A tonelada da celulose, por exemplo, aumentou 56% no primeiro semestre em relação aos seis primeiros meses de 1999, saltando de US$ 441 na média para US$ 690. Além das exportações, o aquecimento do mercado brasileiro também impulsionou o setor produtivo, lembra Alexandre Carneiro, analista sênior da consultoria Adinvest.Na comparação dos resultados das companhias abertas de 2000 com 1999 é importante lembrar que o cenário no primeiro semestre do ano passado foi afetado pela desvalorização cambial. Apesar dos ótimos resultados dos balanços, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), entretanto, ainda não reagiu no mesmo ritmo. A correção de preços, prevê o economista Avelino Almeida, sócio da consultoria Lógica do Mercado, poderá vir ainda em setembro ou outubro.Resultado dos bancos devem diminuir, prevêem analistasNo comparativo com o ano passado, quando os ganhos com câmbio impulsionaram os lucros, os bancos devem ter um resultado pior este ano. Mas isso não significa que o setor deixará de ser rentável, afirma Lika Takahashi, responsável pelo Departamento de Análise do Banco Fator. "Os bancos não vão deixar de ser atrativos, têm perspectiva até melhor daqui para a frente, pois a redução dos juros abre caminho para ampliar operações de crédito e os ganhos", diz.O professor da USP Alberto Borges Mathias, especialista em análise de bancos, lembra que a competição entre bancos estrangeiros e brasileiros deverá crescer, e promete aliviar o bolso dos consumidores. "Será preciso reduzir as tarifas dos serviços para garantir a mesma margem", diz. E que setores deverão mostrar mais fôlego daqui para a frente? Os analistas apostam principalmente na infra-estrutura, com destaque para construção civil, e nas empresas privatizadas. "É preciso investir para compensar atrasos nas estradas, telefonia, setor elétrico, estruturas metálicas, e no setor de siderurgia que atende à construção civil", afirma Lika Takahashi.

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