Stan Honda/AFP
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Ações do LinkedIn sobem 109% na estreia

Valorização exagerada dos papéis faz mercado lembrar da bolha da internet

, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

NOVA YORK

E há quem tenha dúvidas sobre a formação de uma nova bolha da internet. O LinkedIn, rede social para profissionais, abriu seu capital ontem na Bolsa de Nova York, e suas ações fecharam com alta de 109% sobre o preço inicial de US$ 45. Durante o dia, os papéis chegaram a ser negociados a US$ 121,97, para fecharem cotados a US$ 94,25.

Há duas semanas, o LinkedIn havia apresentado uma proposta de preço para sua abertura de capital que daria a ele um valor de mercado um pouco acima de US$ 3 bilhões. Com a alta de ontem, a empresa alcançou um valor de US$ 8,9 bilhões, maior do que empresas como a fabricante de motocicletas Harley Davidson e a agência de classificação de risco Moody"s.

"Isso parece trazer de volta memórias da bolha de tecnologia", disse Jack Ablin, diretor de investimento do Harris Private Bank, em Chicago. "Com base no que sei, parece que os investidores estão um pouco entusiasmados demais."

Um administrador de fundo de hedge, que vendeu seus papéis logo depois de a cotação ultrapassar os US$ 80, descreveu como foi difícil conseguir as ações. "Consegui 500 ações e ouvi que devia me considerar sortudo", disse. "Algumas instituições de bilhões de dólares não conseguiram nenhum papel."

O LinkedIn é a primeira entre as estrelas americanas do mercado de redes socias a testar o apetite dos investidores. As maiores delas - Facebook, Groupon, Twitter e Zynga - devem abrir o capital nos próximos anos.

Pelos investimentos que receberam até agora, o Facebook está avaliado em cerca de US$ 80 bilhões e o Groupon, em US$ 20 bilhões. O LinkedIn levantou US$ 352,8 milhões ontem, com a venda de 8% da companhia, ou 7,84 milhões de ações.

Recentemente essa recepção exuberante tem sido reservada a empresas chinesas de internet. O LinkedIn registrou a maior valorização no primeiro dia de negociação desde que a Qihoo 360 Technology, terceira empresa mais popular da internet chinesa, avançou 134% na sua estreia em Nova York.

Diferença. Como o Facebook, o LinkedIn permite que seus usuários criem páginas de perfil, com fotos e detalhes pessoais. Mas, enquanto no Facebook as pessoas costumam compartilhar informações como as fotos das últimas férias, o perfil do LinkedIn é profissional. O serviço funciona como um banco de dados de currículos.

No ano passado, a empresa lucrou US$ 3,4 milhões, sobre faturamento líquido de US$ 243,1 milhões. No fim de março, o LinkedIn tinha 1.288 funcionários e 102 milhões de usuários registrados. Com base no valor de mercado atual do LinkedIn, cada usuário vale cerca de US$ 96.

"É um dia animador", disse Jeff Weiner, presidente do LinkedIn, em entrevista por telefone ao The New York Times. "Conseguimos encontrar investidores que entenderam nossa história e nosso desejo de investir em nossa plataforma." A abertura de capital do LinkedIn foi a maior de uma empresa americana de internet desde o Google, em 2004. / REUTERS E THE NEW YORK TIMES

Novos milionários

Jeff Weiner, CEO do LinkedIn, vendeu no IPO 5% de sua participação, por US$ 5,2 milhões. O fundador Reid Hoffmann vendeu menos de 1% de sua fatia, fazendo também US$ 5,2 milhões.

PARA LEMBRAR

Primeira bolha estourou em 2000

Nos últimos meses, existe uma grande discussão sobre a possibilidade de estar se criando uma nova bolha de tecnologia, como aquela que surgiu no fim da década de 1990 e estourou em 2000. A performance dos papéis do LinkedIn em sua estreia ontem reforçam a visão de que a história está se repetindo.

Diferentemente das empresas daquela época, no entanto, uma companhia como o LinkedIn tem um modelo de negócios viável. A dúvida é se realmente merece ter o valor de mercado alcançado na bolsa.

Na época da primeira bolha, investidores colocavam milhões em companhias que não tinham grande audiência, nem a menor ideia de como fazer dinheiro.

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