Paula Pacheco/AE
Paula Pacheco/AE

Ações do Panamericano caem mais de 9% com notícia de novo rombo

Reportagem do ''Estado'' que apontou fraude superior aos R$ 2,5 bi estimados pelo BC fez investidores venderem maciçamente os papéis

Leandro Modé, O Estado de S.Paulo

28 de janeiro de 2011 | 00h00

As ações do Panamericano caíram ontem mais de 9% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), em reação à reportagem do "Estado" que mostrou que o rombo na instituição supera os R$ 2,5 bilhões estimados pelo Banco Central (BC). O banco de Silvio Santos precisará de novo aporte para continuar operando. 

A forte queda de ontem foi a mais expressiva em um único dia desde que a fraude contábil veio a público, no início de novembro. Também reduziu a 8% a valorização dos papéis do Panamericano na bolsa em janeiro.

Até quarta-feira, as ações acumulavam ganho de quase 20% no primeiro mês do ano, em meio a especulações de que o banco poderia ser vendido.  

 

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O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, avalia que a oscilação dos papéis é normal em um contexto como o do Panamericano. "Há quatro meses que o banco não divulga um balanço. Criou-se um clima de incerteza sobre a situação patrimonial", afirmou. "São os números da empresa que servem de base para o investidor tomar sua decisão."

Os dados devem ser oficialmente divulgados na próxima segunda-feira, quando o Panamericano planeja enviar à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) os resultados relativos ao terceiro trimestre e aos meses de outubro e novembro de 2010.

A partir de dezembro, a instituição já estava sob o comando da nova diretoria, indicada, em sua maioria, pela Caixa Econômica Federal. Em dezembro de 2009, o banco federal comprou metade do capital votante do Panamericano por R$ 739 milhões. A Caixa só não foi obrigada a socorrê-lo porque o BC não havia aprovado a operação quando descobriu a fraude, em setembro.

A solução encontrada para permitir a continuidade do banco foi um aporte do Fundo Garantidor de Crédito (FCG), uma entidade mantida pelas próprias instituições financeiras desde 1995. Seu objetivo é cobrir parte dos depósitos dos clientes em caso de quebra de algum banco.

Ontem, o FGC distribuiu breve nota na qual afirma que aguardará "a finalização do balanço a ser divulgado na próxima semana" para fazer qualquer comentário sobre as informações contidas na reportagem de ontem do Estado.

Cerca de cem profissionais trabalham no balanço, que já foi adiado diversas vezes. Além da Deloitte, auditoria do próprio Panamericano, a PricewaterhouseCoopers está checando os dados (contratada pela Caixa). Técnicos do BC também participam do processo. / COLABOROU ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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