Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Ações e fundos com renda variável lideram migração de investimentos

Em cenário de juros baixos, investidor de alta renda diversificou aplicações e conseguiu aumentar ganhos

Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2019 | 05h00

Os investidores de alta renda, que puxaram o recorde de R$ 3 trilhões investidos no País no primeiro semestre, apostaram em ativos de mais risco para aumentar seus rendimentos. Fugindo dos juros baixos – a taxa Selic está em seu menor nível, em 6% ao ano –, eles migraram, principalmente, para fundos multimercados e ações de 2016 para cá, aumentando a porcentagem do patrimônio em renda variável, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O resultado foi um rendimento maior, influenciado também pela valorização da Bolsa no período.

Ao mesmo tempo, a camada mais sofisticada de investidores, conhecida como private banking, que engloba clientes que têm mais de R$ 3 milhões investidos, cresceu em fundos de ações, multimercados e mesmo na previdência privada. Essas pessoas já eram as que mais diversificavam ativos tomando risco.

De acordo com Gilberto Abreu, diretor de investimentos do Santander Brasil, o movimento das classes mais altas de investidores, que juntas aumentaram o patrimônio investido em 19%, mostra que quem apostou em renda variável se saiu melhor nesse período de atividade fraca da economia. “Tem a combinação de duas coisas: a queda de juros e a Bolsa brasileira progredindo. Os investidores buscaram esse crescimento da Bolsa”, diz. 

Para ele, o avanço das plataformas digitais de investimentos também contribuiu para essa mudança na alocação de recursos. “As plataformas tendem a vender mais. De forma geral, é correto, no cenário de juros baixos, tomar mais risco e adquirir menos liquidez, mas o investidor pode cair no erro de comprar riscos desconhecidos, fora do seu apetite”, alerta Abreu. 

Portfólio mais variado

Para os usuários do aplicativo Gorila Invest, organizador de investimentos com 30 mil pessoas na base de clientes, com tíquete médio de R$ 200 mil investidos, as aplicações em ações cresceram 12% de dezembro de 2018 a junho de 2019.

Por outro lado, investimentos em Tesouro Direto e fundos de renda fixa caíram respectivamente 6% e 2%. Para Guilherme Assis, presidente do Gorila, essa mudança deve ter continuidade. “Esses movimentos serão tendência enquanto o juro real seguir no atual patamar.” Apesar da redução de 0,5 ponto porcentual feita pelo Copom na taxa básica de juros no fim de julho, o juro real brasileiro (descontada a inflação) é o oitavo maior do mundo, 1,63% ao ano. 

O crescimento das ações no portfólio foi observado em todas as faixas de investidores no relatório divulgado pela Anbima, até no chamado varejo tradicional, onde estão os investidores com renda mensal de até R$ 10 mil. O avanço de volumes nessa classe de ativos no varejo tradicional e alta renda na comparação entre os primeiros semestres de 2018 e 2019 foi de 28,1% e nos fundos de ações 38,6%. 

Para Claudio Sanches, diretor de Produtos de Investimento e Previdência do Itaú Unibanco, o mantra da diversificação deve ser lembrado quando se fala dessas aplicações. “Essa é a palavra da vez: fazer diferentes aplicações para tentar compensar a rentabilidade mais baixa que os investimentos atrelados à taxa de juros estão entregando. Alternativas mais arriscadas buscam rentabilidade maior e os investimentos em ações são exemplos disso”, comenta.

Imóveis

Em relação ao primeiro semestre de 2018, os fundos imobiliários tiveram avanço expressivo de volume de janeiro a junho deste ano: 36% no varejo geral e 12,5% no private. E mais uma vez os juros foram motivo para a euforia. “Especificamente em São Paulo, os números de vacância de imóveis corporativos caíram; na Bolsa, as construtoras estão se valorizando. O cenário de juros baixos possibilita o financiamento desse setor”, explica a gerente da Ativa Investimentos, Laurita Utrabo.

Poupança em alta para quem reduziu investimentos

No varejo tradicional, o volume de investimentos caiu 4,8% no primeiro semestre. A alocação de recursos seguiu priorizando a poupança, cuja fatia passou de 63,3% em junho de 2018, para 67,1% no mesmo mês de 2019. O bancário Paulo Cesar Valadão foi um dos investidores que abandonaram ações e produtos de renda fixa, voltando à poupança. “Precisei do dinheiro das ações e, como não junto muito, a renda fixa não compensa.” Para o professor de economia do Mackenzie Agostinho Pascalicchio, a fraca atividade econômica afeta mais esse segmento de investidores, para quem pesa a menor diversificação./ COLABOROU PEDRO LADISLAU LEITE

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