Ações: fundos não desenvolvem transparência

A governança corporativa ainda está longe de chegar aos fundos de investimento, apesar de a discussão ganhar força entre as empresas de capital aberto. A indústria de fundos não desenvolveu, até o momento, formas de elevar a transparência e estreitar o relacionamento com os cotistas. Iniciativas como a do recém-criado Tarpon HG para investidores qualificados são pouco utilizadas pelos produtos oferecidos ao varejo.O gestor da carteira, José Carlos Reis de Magalhães, contou que a composição do portfólio e o histórico do fundo estão disponíveis pela Internet. Conforme disse Magalhães, o objetivo é que os investidores tenham um membro no conselho consultivo do fundo. Com isso, eles poderão entender e compartilhar as decisões de aplicação.Os gestores alegam que a razão principal para a governança não ter alcançado os fundos é a ausência de demanda pelos investidores. Segundo eles, o contato com o cliente de varejo é mais difícil do que com os investidores institucionais - empresas e fundos de pensão. Os aplicadores de grande porte têm maiores exigências quanto ao tratamento recebido e acompanham o desempenho de maneira mais intensa.Dessa forma, os fundos não fazem com seus clientes menores aquilo que exigem das companhias abertas onde aplicam, como acionistas minoritários. A briga por transparência no mercado de capitais está distante de chegar às pessoas físicas.Gestores divergem sobre governançaAs divergências sobre a utilização da governança na indústria de fundos já começam na discussão sobre a utilidade da medida. Para o gestor de renda variável da Itaú LAM, André Caminada, seria interessante aprofundar o relacionamento com os cotistas. "Poderia dar uma estabilidade maior ao patrimônio, evitando saques e movimentações desnecessárias."Já para o diretor de investimentos da Bradesco Asset Management, Mauro Cunha, oferecer um poder decisório e de discussão muito grande ao cliente poderia, em alguns casos, complicar a rotina dos administradores. "Mas, não existe uma única receita de bolo. É preciso ver a expectativa e o tipo do investidor."Na opinião de Bruno Rocha, diretor da Dynamo - gestora de recursos especializada em aplicações de longo prazo -, além da variação do perfil dos clientes, é importante ver o interesse de cada um. Segundo ele, algumas pessoas físicas esperam que o gestor faça o trabalho e entregue somente os rendimentos. "Muitas vezes, eles simplesmente não querem se envolver."Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid), Marcelo Giufrida, as ferramentas existentes são suficientes. "O maior instrumento de proteção que o investidor possui é o resgate do seu dinheiro."O gestor de renda variável da JP Morgan Asset Management, Eduardo Favrin, explicou ainda que grande parte dos fundos de varejo no Brasil são atrelados ao Índice Bovespa. "A preocupação maior é seguir o indexador da carteira."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.