Ações ON das teles são boas opções

Com toda a pressão externa sobre o mercado brasileiro e as tensões do Nasdaq influindo negativamente no mercado, o investidor que aplicou no setor brasileiro de telecomunicações viu seus recursos sumirem. Mas, quem apostou nas ações ordinárias (ON, com direito a voto) das empresas de telefonia pode ter, em alguns casos, visto o dinheiro engordar. Um estudo realizado pela Economática com os papéis das companhias de telecomunicações presentes no Índice Bovespa mostra que a perda média em 2000 para as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) foi de 3,7%. No caso das ordinárias, houve uma valorização média no ano de 15,9%. No mesmo período, o Índice Bovespa atingia uma queda de 19,36%. Mesmo quando o período observado resume-se ao mês de novembro, de forte estresse na Bolsa brasileira, a performance das ONs supera as PNs. As primeiras apontam perda média de 10,7%, contra uma desvalorização média de 14,4% para as ações sem direito a voto. Analistas acreditam na consolidação do setorAnalistas de mercado apontam a perspectiva de consolidação do setor e a aprovação da reforma na Lei das Sociedades por Ações como os principais motivos para a existência dessa diferença no desempenho das classes de papéis. A analista Carolina Gava, da BES Securities, afirmou que o mercado apostou nas movimentações em razão da reestruturação do setor. Segundo ela, isso foi reforçado pelo fato de o controle ser detido com o porcentual mínimo na maioria das empresas, indicando que para qualquer operação as ações do mercado terão de ser levadas em consideração. Essa perspectiva, aliada às mudanças propostas pela Lei das S.As., é a razão principal dessa movimentação, para Alexandre Constantini, analista do Bear Stearns. Para ele, o destaque está no chamado direito de "tag along". Por ele, os acionistas minoritários teriam garantido o prêmio pago por ação, em caso de troca do controle da companhia. E com as mudanças previstas, aquisições e fusões fazem estão no horizonte dessas empresas, disse. Jacqueline Lison, analista da Fator Doria Atherino Corretora, lembrou que esse movimento foi mais forte durante o primeiro semestre. Nas perspectivas da analista, isso pode continuar mas, de forma bem menos acentuada, pois o mercado se antecipa aos fatos. O fator "consolidação de mercado" é bastante visível quando observa-se as ações da Tele Centro Oeste Celular. Os papéis PNs da empresa acumulam ganho de 66%, ante uma valorização de 207% para os ONs. A analista da BES Securities, Carolina Gava, explicou que a companhia é a única no segmento de telefonia celular que não possui um parceiro estratégico internacional, tornando-se, portanto, uma opção interessante para o setor.

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