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Ações: PNs são mais valorizadas que ONs

As companhias abertas que possuem ações ordinárias (ON, com direito a voto) valendo mais do que as preferenciais (PN, sem direito a voto) na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) correspondem a somente 25,64% do mercado. Pesquisa realizada pela consultoria Economática (veja link abaixo) mostra 20 empresas cujas cotações de ONs superam as de PNs, tradicionalmente mais negociadas. O estudo engloba o universo total das 78 companhias que possuem os dois tipos de papéis.Segundo especialistas, o porcentual reflete a legislação brasileira que trata do assunto. "A atual Lei das Sociedades Anônimas estipula que o capital das empresas seja composto por um terço de ações ordinárias e o restante de preferenciais", lembrou o diretor de investimentos do Dresdner Asset Management, Luiz Neves. A maior circulação de ações preferenciais acabou criando uma cultura na qual o volume de negócios de um papel se torna o fator determinante na sua formação de preços. A política de distribuição de dividendos - maiores para as PN - é outro fator que amplia o interesse dos investidores por essas ações. A inversão da tendência, quando as ON passam a valer mais que as PN, ocorre na maioria das vezes por distorções relacionadas a um baixo volume de negócios com as ordinárias, ou ainda por expectativas ligadas a mudanças de controle acionário. "Em algumas companhias, o controlador administra o valor de suas ordinárias", disse o diretor de estratégia de investimentos do Lloyds Asset Management, Paulo de Sá Pereira. Pelo raciocínio, a baixa negociação faz com que o acionista majoritário consiga estipular com facilidade o preço dos papéis.Estudo elenca empresas cujas ONs valem mais em relação às PNsA análise da Economática mostra a divisão do preço da ordinária pelo da preferencial, indicando quantas vezes a ON vale a PN. Unibanco vem em primeiro lugar, com 2 vezes. O valor utilizado para o cálculo refere-se ao fechamento em Bolsa do dia 11 de dezembro para o caso das mais negociadas e do último dia de funcionamento da Bolsa naquele mês para as menos negociadas.A esperança de lucro em uma suposta troca de controle acionário entre companhias é evidenciada pelo número de representantes dos setores de energia e telecomunicações na lista. Segunda colocada no ranking, Cemat (1,40 vezes), encabeça uma lista que conta ainda com outras três empresas do setor: Elektro (1,11 vezes), Celesc (1,05 vezes) e Companhia Paulista de Força e Luz (1,02 vezes).A área de telecomunicações também traz quatro representantes: Tele Centro Oeste Celular (1,22 vezes, na quarta colocação), Tele Norte Celular (1,12 vezes), Tele Nordeste Celular (1,04 vezes) e Tele Leste Celular (1,03 vezes). "As empresas resultantes da cisão de Telebrás, principalmente as celulares, estão passando por fortes processos de consolidação", lembrou o gestor de renda variável do Chase Asset Management, Eduardo Favrin. Essa movimentação puxaria a cotação das ON, com expectativas em relação a reestruturações societárias.

Agencia Estado,

04 de janeiro de 2001 | 13h21

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