Ações: setor têxtil tem boas perspectivas

O setor têxtil brasileiro passou por momentos difíceis na década passada devido à abertura da economia, principalmente devido à concorrência dos importados na época em que o real estava muito valorizado. Mas a partir do início de 1999, com a desvalorização cambial e o desenvolvimento tecnológico obtido com investimentos financeiros, as empresas do ramo retomaram o fôlego. A recuperação volta a despertar interesse nas ações das empresas do setor e a projeção é de que as principais companhias ofereçam, em médio ou longo prazo, retorno superior a 50%.Conforme relata a analista de Investimentos do Banco Brascan, Natalie Fusco, o setor passou por dificuldades com a concorrência externa, após a abertura econômica promovida pelo governo Collor. "O mercado interno não conseguia competir com a qualidade e o preço dos produtos internacionais". Para sobreviverem, as empresas têxteis tiveram de bancar grandes investimentos em tecnologia.Para o gerente de Investimentos do BancoCidade Asset Management, Fábio Anderaos, as maiores empresas foram justamente as que mais investiram para aumentar a produtividade. Ele enfatiza que a desvalorização cambial foi fundamental para que o tecido brasileiro nacional passasse a concorrer em melhores condições com os importados.Câmbio não é a única explicação para o reaquecimentoO gerente de Finanças da corretora Socopa, Gregório Mancebo, diz que o câmbio não é a única variável que influencia o valor das ações do setor têxtil. O algodão, matéria-prima para a fabricação de fios e tecidos, também é de grande relevância e, se importado, responde pela metade do custo da produção. Mas acredita-se que, em poucos anos, o País alcance a auto-suficiência na produção do insumo.Como produz bens para consumo, principalmente interno, o setor têxtil também não fica alheio à euforia com o crescimento da economia doméstica. A previsão de investimento no setor é de cerca de R$ 12,3 bilhões até 2008. Natalie, do Brascan, esclarece que, mesmo com essas restrições e falta de informações, os papéis ainda estão baratos, porque são pouco negociados. "Aplicar nesses papéis pode proporcionar bons rendimentos, mas na hora de vendê-los o acionista pode ter problemas".As ações mais indicadas do setor, segundo esses analistas, são das empresas Teka, Coteminas, Guararapes, Alpargatas, Marisol e Santista Têxtil, todas com negociabilidade razoável e com melhores perspectivas de valorização.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.