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Ações: setores menos afetados pela crise

Com perspectivas negativas para o crescimento econômico do País, em função do problema de falta de energia (veja mais informações no link abaixo), todos os setores devem sofrer, em alguma escala, as conseqüências do problema. Sem energia, a tendência é de que as empresas reduzam a produção, o que acaba prejudicando seus resultados financeiros.Nos setores de energia, telecomunicações e petróleo, o impacto deve ser menor, segundo os analistas. Em relação às empresas de energia, os analistas consideram que boa parte da deterioração do cenário já foi repassada para o preço das ações dessas empresas. Exemplo disso é a Light. A queda das ações ordinárias (ON, com direito a voto) é de 48,51%, desde 23 de janeiro, quando a cotação atingiu o patamar máximo nesse ano, de R$ 268,01. Ontem, o papel fechou o dia cotado a R$ 137,98. Mas, como o problema de escassez de energia não deve ter uma solução no curto prazo, alguns analistas já alteraram o preço-alvo estipulado para os papéis das empresas desse setor. De acordo com um relatório divulgado no início da semana pelo banco de investimentos Lehman Brothers, o preço-alvo das ações da Light, a ser atingido em 12 meses, foi reduzido de R$ 217 para R$ 112, o que significa que a ação pode cair ainda mais. Uma das empresas do setor com menor exposição ao problema é a Companhia Paranaense de Energia (Copel). Segundo os analistas, os pontos positivos da empresa são sua capacidade de produção de 82% do total comercializado, a perspectiva de privatização e a localização na região Sul, onde a geração de energia deve ser menos prejudicada.Setor de telecomunicações: impacto menorSegundo Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management, o setor de telecomunicações não usa grande quantidade de energia. Porém, o problema do racionamento dificulta os planos de expansão das empresas. O diretor acredita que as empresas do setor de telefonia celular estão melhor posicionadas, mas a rentabilidade das ações desse segmento vai depender da consolidação das empresas - fusões, aquisições e incorporações. Apesar da expectativa menos pessimista para esse setor, Ziegelmann lembra que as empresas de telecomunicação também são sensíveis ao crescimento da renda das pessoas e, podem sofrer com uma eventual queda na renda causada pela desaceleração econômica resultante da falta de energia. Para o segmento, o relatório da LAM também alterou sua recomendação de compra acima do referencial da carteira para compra em valores semelhantes à carteira do benchmark (referencial). Exportadoras também são destaqueAs empresas com grande parte da produção voltada para o mercado internacional também são menos afetadas pelo problema de falta de energia. Isso porque a economia mundial, puxada pelos Estados Unidos, começa a dar sinais de recuperação, ao contrário do Brasil, onde o mercado interno deve ficar desaquecido. Além disso, a alta do dólar também favorece o desempenho dessas empresas.Exemplo disso é a Embraer, cuja produção não depende de volumes elevados de energia, além de exportar grande parte da sua produção. De acordo com um relatório divulgado pela Sudameris Corretora, com a alta do dólar, o lucro da Embraer ficou acima das expectativas, embora a produção tenha ficado abaixo das estimativas no primeiro trimestre - 42 aeronaves contra 48 planejadas. De acordo com o relatório, o preço-alvo para a ação a ser alcançado em 12 meses é de R$ 29,70 . Ontem, a ação fechou cotada a R$ 19,00 - expectativa de ganho de 56,31% no período. Setor bancário também não sofrerá muitoAs ações das instituições financeiras também têm impacto menor com o problema de energia. O lucro dos bancos pode até sofrer alguma influência, pois o desaquecimento econômico inibe o crescimento da carteira de crédito dessas instituições. Além disso, pode haver um aumento da inadimplência se o desemprego aumentar. Por outro lado, o diretor de renda variável do BNP Asset Management, Nicolas Balafas, lembra que os bancos ganham também com a oferta de serviços a seus clientes. "Em relação à inadimplência, os bancos têm sido mais criteriosos na concessão de crédito, o que pode reduzir as chances de aumento de inadimplência", avalia.

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