Ações sobem 12,7% após Pão de Açúcar ter fusão anunciada

Nos últimos 12 meses, papéis da empresa se valorizaram 19,71%, incluindo os 12,7% de ontem; Bovespa registrou alta de 1,77%

Roberta Scrivano, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

A oferta do Pão de Açúcar ao Carrefour fez com que as ações da rede varejista brasileira subissem 12,64%, para R$ 73,25, na sessão de ontem da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A alta foi muito acima do desempenho do Ibovespa (índice que serve como termômetro da Bolsa), que subiu 1,77%.

Para os acionistas minoritários que têm os papéis preferenciais (PN) do Pão de Açúcar na carteira é hora de refletir sobre o que fazer com os investimentos. Com a alta registrada ontem, alguns vão optar por vender as suas ações para "realizar lucro" - jargão do mercado que significa vender o papel por um preço maior do que o comprado.

Para se ter uma ideia da grandeza da alta obtida na sessão de ontem, durante todos os últimos 12 meses essas mesmas ações se valorizaram 19,71%. Levando em conta somente o mês de junho, as ações do Pão de Açúcar subiram 15,88%. Os investidores que precisam de dinheiro no caixa agora, portanto, podem optar por vender seus papéis e embolsar o lucro.

"Por enquanto, pouco se sabe sobre o negócio das duas empresas", avalia Mauro Calil, educador financeiro. Parte do mercado supõe que os acionistas minoritários do Pão de Açúcar passarão a ser acionistas de uma holding puramente financeira, criada a partir da fusão com o Carrefour.

"A princípio, parece um bom negócio ao acionista manter esses papéis na carteira. Há chance de ainda mais valorização", completa Fábio Gallo, professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

A fusão das duas empresas é um tema tão novo que até a Associação de Investidores no Mercado de Capitais (Amec, que representa os acionistas minoritários), preferiu não conversar com a reportagem do Estado. "A diretoria ainda vai avaliar melhor os detalhes do assunto para posteriormente se pronunciar", informou a Amec.

Tanto Mauro Calil quanto Fábio Gallo parecem otimistas com o que poderá acontecer com a criação da nova empresa a partir da fusão.

"O Pão de Açúcar já tinha uma posição muito sólida no mercado. A partir da fusão, ganhará ainda mais musculatura. De novo digo que, a princípio, parece um bom negócio para o acionista minoritário manter os papéis na carteira", comenta o professor da FGV. Para Gallo, com essa musculatura maior, a nova empresa poderá inclusive competir de frente com a maior varejista do mundo, o Walmart.

Calil pondera também que, para tomar qualquer decisão, o investidor deve analisar todo o processo de fusão das duas companhias. "Ligar para a corretora e pedir informações também é válido. Eles têm obrigação de detalhar o que sabem ao investidor", sugere o educador financeiro.

Até a conclusão do processo de fusão, alertam os especialistas em finanças pessoais, os pequenos investidores terão de ter estômago para aguentar possíveis oscilações nas cotações.

"Em casos como fusões e ofertas públicas de ações, os preços dos papéis tendem a oscilar fortemente, tanto para baixo, quanto para cima", pontua Raphael Juan, gerente de mercados da CMA.

PARA LEMBRAR

Negócio vazou há um mês

As confusões societárias do Grupo Pão de Açúcar voltaram aos holofotes em maio deste ano, quando um jornal francês divulgou que Abilio Diniz estava negociando com o Carrefour a operação brasileira da rede francesa, sem comunicar seu principal sócio, o também francês Casino. O vazamento de informações azedou ainda mais o relacionamento entre os dois, que já não era bom.

O clima hostil fez com que o Casino entrasse com um pedido de arbitragem no mês passado para repreender publicamente o sócio brasileiro. No Grupo Pão de Açúcar desde 1999, o Casino aumentou sua participação na empresa em 2005. Naquele ano, um acordo de acionistas estabeleceu que a rede francesa poderia exercer uma opção de compra e passar a deter o controle do Grupo Pão de Açúcar em junho de 2012. Abilio vinha se mostrando resistente a cumprir o acordo.

Nos últimos dois anos, ele comprou a cadeia de eletroeletrônicos Ponto Frio e fechou uma fusão com a Casas Bahia tornando-se o maior varejista do País. No mesmo período, o Carrefour viu sua operação no Brasil sair do eixo. No fim de 2010, a varejista anunciou rombo de R$ 1,2 bilhão nas contas brasileiras, por conta de erros contábeis. Nos hipermercados, a venda também caiu.

 

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