Ações terão mais espaço nos planos de previdência

O setor de previdência privada se prepara para uma nova era. Com a queda dos juros básicos para abaixo de dois dígitos (9,25% ao ano), os administradores terão de se esforçar mais para dar melhor rentabilidade ao investidor. A expectativa é que as carteiras, que até agora viviam recheadas de títulos públicos, deem mais espaço a fundos com maior participação de renda variável (ações). Hoje, 90% dos ativos do segmento estão aplicados em renda fixa, diz o vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Marco Antonio Rossi. De acordo com a legislação, os planos de previdência privada podem investir até 49% em ações. Mas, com juros extremamente rentáveis, a demanda por esses produtos era pequena. Agora, quem quiser retorno maior terá de buscar produtos mais agressivos, o que deve incentivar o lançamento de novos planos, diz o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), José Cechin, ex-ministro da Previdência no governo Fernando Henrique. Segundo ele, isso exigirá mais atenção dos investidores. Como ocorre nos fundos de investimentos, o aplicador terá de conhecer bem em que classe de risco está o produto, se conservador, moderado ou agressivo. O primeiro caso é indicado para pessoas que não estão dispostas a correr nenhum risco ou para quem está próximo da aposentadoria, diz Cechin. Ele explica, entretanto, que, com a rentabilidade menor dos juros, é possível que o contribuinte tenha de aumentar a aplicação ou contribuir por um tempo maior. O vice-presidente da Fenaprevi pondera, porém, que um plano de previdência não obedece aos mesmos princípios de um investimento normal. Tudo vai depender das metas do investidor.Ele destaca ainda que outro efeito da queda dos juros tem sido a redução das taxas de administração (de 0,35% a 3%) e das taxas de carregamento. "Mas esse movimento também é decorrente do aumento do mercado. Quanto maior a indústria, menor é a taxa."

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