Acordo argentino não sai e mercado pode reagir

Os mercados terão uma boa oportunidade hoje para provar a apregoada indiferença à crise argentina. Antes dos fechamentos, o governo anunciou que havia chegado a um acordo sobre a redução dos repasses de verbas para as províncias. Mas o fato não se concretizou. Para piorar a situação, a oposição, que nem estava presente na reunião de ontem, conseguiu aprovar projeto de lei que destina parte dos recursos do imposto do cheque argentino às províncias, reduzindo a arrecadação da União.É verdade que a situação econômica brasileira neste final de ano é bem menos grave do que as previsões que surgiram durante as sucessivas crises de 2001 - energética, argentina e norte-americana. As contas do governo estão equilibradas, as contas externas melhoraram e os investidores internacionais também já vêem com mais clareza as diferenças entre os dois parceiros da América do Sul. Como não se fala mais em disparada descontrolada do dólar, muitas empresas estão se desfazendo das reservas em moeda norte-americana. Mas ainda é cedo para comemorar.O otimismo dos mercados baseia-se em grande parte na percepção de que a crise argentina já está embutida nas cotações dos ativos e que o cenário para o Brasil melhora. Realmente, a recuperação observada até agora apenas reverteu o pessimismo extremo dos últimos dois meses - aliás, época do pânico com os ataques terroristas nos Estados Unidos. Mas os EUA, além das incertezas da guerra, entram em recessão, apesar das previsões de recuperação com os cortes vigorosos nos juros, e a Argentina está longe de resolver seus problemas. Mais circunstancialmente, o leilão da Companhia Paranaense de Energia (Copel), que poderia render US$ 1,6 bilhões se a empresa fosse arrematada por estrangeiros, foi adiado por tempo indefinido por desinteresse dos candidatos à compra.Argentina afunda na criseA situação do país é desesperadora. Presidente e equipe econômica tentam realizar cortes ainda mais draconianos em negociações duríssimas para ter alguma autoridade moral junto aos organismos internacionais e Tesouro dos EUA, a fim de conseguir um adiantamento da parcela de dezembro, de US$ 1,6 bilhões, para não decretar o calote unilateral imediatamente.O governo tenta empurrar uma operação de troca de títulos com perdas para seus credores, pois essa é a única chance de conseguir manter os contratos. Mas, além do malabarismo contábil para seguir adiante com perdas para todos, os saques bancários e compras de dólares crescem em velocidade assustadora. O último dado, por exemplo, foi de que as reservas internacionais caíram US$ 567 milhões em um dia, passando de US$ 18,157 bilhões para US$ 17,590 no dia 2 de novembro. Muitos analistas consideram que os depósitos, e principalmente as reservas, estão próximas do limite. Enquanto isso, o governo insiste na manutenção do câmbio fixo que mantém o peso sobrevalorizado, tentando eliminar o déficit público através de cortes orçamentários numa economia em seu quarto ano de profunda recessão. A cada dia crescem as chances de que o sistema sofra um colapso, só restando como alternativa nova ajuda internacional. Até agora, as injeções de recursos externos e políticas de cortes não têm funcionado, o que reduz as chances de que esse ciclo continue indefinidamente. E no caso de um colapso, o otimismo do mercado brasileiro pode até se manter, mas com mais cautela. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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