Acordo automotivo entre Brasil e Argentina entra em discussão

A Argentina propôs ao Brasil rediscutir o acordo automotivo do Mercosul durante reunião realizada hoje entre o setor privado e representantes de ambos os governos. O secretário de Indústria da Argentina, Alberto Dumont, ao lado do secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Marcio Fortes, disse que os setores de autopeças e automotivo estão elaborando documentos que serão entregues aos governos dos dois países para uma nova discussão do acordo, em vigor até 2006.A afirmação de Dumont foi feita hoje, em Buenos Aires, no Primeiro Seminário Regional Argentina-Brasil. Fortes ressaltou que ainda faltam 16 meses para o término do atual acordo e disse esperar que "as diferenças sejam solucionadas", em pontos como os índices de componentes e regras ambientais.Os empresários do setor reconhecem que existem dúvidas sobre o início do livre comércio automotivo a partir de janeiro de 2006, como afirmou à Agência Estado o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Roberto Rodrigues Butori, que também participou do seminário. Ele explicou que as montadoras, produtoras de autopeças e o governo da Argentina querem a revisão do acordo para que o mesmo seja prorrogado.Já o presidente da Associação de Fábricas Argentinas de Componentes (Afac), Rodolfo Achille, disse que "não adianta discutir se o acordo será prorrogado ou não, se não existir uma estratégia de longo prazo para o bloco porque não tem sentido discutir o que não se cumpre", reclamou ele, em referência ao fato do Brasil, segundo ele, não ter cumprido a Tarifa Externa Comum (TEC) estabelecida pelo acordo automotivo para as autopeças importadas de países de fora do bloco.O Primeiro Seminário Regional Argentina -Brasil, promovido pela consultoria Centro de Estudos Bonaerenses (CEB), tem o objetivo de analisar com profundidade os pontos positivos e negativos do processo de construção do Mercosul. O seminário contou com a participação dos representantes das principais cadeias produtivas do Brasil e da Argentina nos setores automotivo, têxtil, construção , químico, alimentício e financeiro.

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