Acordo Brasil-Bolívia não é Fla-Flu, diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira, 15, que o acordo do gás firmado entre o Brasil e a Bolívia não pode ser avaliado como uma disputa entre o Flamengo o Fluminense. Na sua opinião, o acordo deve ser visto como a criação de um ambiente favorável para o futuro da Petrobras na Bolívia e para a consolidação de projetos de investimento naquele país. "Não se trata de ver quem cedeu, quem ganhou, como se fosse uma partida de Fla-Flu", afirmou. "O acordo foi bom e vai criar um ambiente", completou.No acordo, fechado na quarta-feira entre os dois países, ficou acertado que a Petrobras pagará mais por uma parte do gás que exceder o valor calorífico mínimo previsto no contrato. Esse excedente terá uma variação de acordo com o preço internacional do produto. Na prática, para o Brasil, isso significará um gasto adicional em torno de US$ 100 milhões por ano. Para o consumidor, segundo disse o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o preço do produto não deve subir, já que aumentos de preço para o consumidor têm que ser autorizados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).Mas esta garantia não é por tempo ilimitado. Gabrielli disse que o aumento nos preços pagos pelo gás da Bolívia será repassado aos novos contratos da estatal com as distribuidoras. "Os novos contratos levarão em conta a realidade de mercado."Apesar da previsão de que este custo adicional chegaria a US$ 100 milhões por ano - cálculo feito pelo governo boliviano -, o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, afirmou, em entrevista coletiva, no Palácio do Planalto, que a equipe técnica da Petrobras deverá realizar nos próximos dias os primeiros cálculos do impacto que a mudança no cálculo do preço do gás importado terá nas despesas da estatal.Em princípio, segundo apurou a reportagem da BBC Brasil, haverá um aumento no desembolso da Petrobras entre 3% e 6% em relação ao preço atual, de US$ 4,30 por BTU (unidade de medida térmica). Segundo ele, o valor que o Brasil pagará pelo gás boliviano pode variar para mais ou para menos.DesgasteAs relações entre os dois países vinham num processo de desgaste desde o ano passado, quando Morales anunciou medidas que contrariavam os interesses da Petrobras no país e vinha pressionando para um aumento no preço do gás vendido à empresa.O presidente Lula foi muito criticado, inclusive na campanha eleitoral, por não ter tomado medidas contra o país e dizer que o Brasil tinha que ajudar a Bolívia, o país mais pobre da América do Sul.No início da semana, Morales ameaçou cancelar a visita a Brasília, sua primeira ao país como chefe de Estado, se não houvesse a sinalização de que voltaria para casa com um acordo sobre o gás.O governo brasileiro vinha afirmando que não aceitaria pressão, que o assunto seria estaria na pauta das conversas entre os dois presidentes e que a negociação era técnica, mas na quarta-feira à noite o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia admitiu que a negociação tinha sido política.

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