Acordo com a GE faz ação da LLX subir 27%

Após suspensão de investimento de grupo chinês, acordo com a gigante dos EUA ameniza preocupação de investidor com o projeto de Eike Batista

MÔNICA CIARELLI / RIO , CLAUDIA VIOLANTE / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2012 | 00h56

A americana GE fechou com a LLX, braço de logística da EBX, do empresário Eike Batista, acordo para instalar uma fábrica no Superporto do Açu. O negócio diminuiu a desconfiança de investidores em relação ao projeto, considerado peça central no desenvolvimento do conglomerado do empresário, e fez as ações da companhia dispararem na BM&FBovespa.

Os papéis da LLX fecharam ontem com recorde de alta (27,59%), no topo da lista do Ibovespa, principal índice da bolsa paulista. Mesmo assim, as ações ainda acumulam mais de 33% de desvalorização no ano.

A desvalorização em 2012 reflete a desconfiança sobre a grandiosidade dos investimentos anunciados por Eike. No início do mês, o presidente da siderúrgica chinesa Wisco, Deng Qilin, anunciou que a companhia estava suspendendo seus planos de se instalar no local. Questionada posteriormente pela Comissão de Valores Mobiliários, a LLX esclareceu que o memorando de intenções assinado com a Wisco ainda continua valendo.

A eventual saída da siderúrgica asiática seria um baque nos planos do empresário, que não tem conseguido atrair empresas para o porto-indústria . A montadora Nissan chegou cogitar construir uma fábrica no local, mas as negociações não avançarem. As conversas com a siderúrgica Ternium seguem, mas o contrato até agora não foi fechado. Após a compra de participação na Usiminas em 2011, o investimento da Ternium no porto passou a ser ainda mais questionado.

Diante dos problemas, o empresário decidiu concentrar forças no segmento de petróleo e gás para dar robustez ao empreendimento, pois o setor é um dos poucos que seguem firmes em um momento de desaceleração. "A instalação de uma unidade da GE no complexo industrial marca o início da ocupação do Polo Metalmecânico e demonstra a confiança de grandes grupos multinacionais nas vantagens competitivas (do porto)", afirmou, em nota, o presidente da LLX, Octávio Lazcano.

As duas empresas não revelam as cifras envolvidas no contrato. Mas a parceria da GE com o grupo não começou agora. Em maio, a companhia americana desembolsou US$ 300 milhões por uma fatia de 0,8% na holding EBX. O acordo para a construção de uma fábrica no Superporto do Açu, que vem sendo costurado desde o ano passado, tem duração de 30 anos, renováveis por mais até 30 anos. A unidade terá até 322,5 mil metros quadrados de área total, com foco nas áreas de petróleo & gás e geração de energia.

"O Superporto do Açu é fundamental para aumentar a capacidade de escoamento da produção industrial e ampliar o desenvolvimento nacional", explica o presidente da GE para a América Latina, Reinaldo Garcia.

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