Pablo Martinez Monsivais/AP
Pablo Martinez Monsivais/AP

Acordo com chineses está muito próximo, diz Trump

Países fizeram rodada de negociações sobre tarifas esta semana, em Pequim, e vão retomar tratativas comerciais em Washington

Victor Rezende, Nicholas Shores e Sérgio Caldas, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 11h28

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na tarde desta sexta-feira, 15, que americanos e chineses estão "muito próximos" de um "acordo muito bom", que será positivo para os dois países.

O comentário veio na esteira de uma nova rodada de negociações entre americanos e chineses em Pequim, que se encerrou nesta sexta, e antes de novas conversas marcadas para a próxima semana em Washington. "Sou um amigo do presidente da China, Xi Jinping. Nossas tarifas estão ferindo a economia deles. Nossa relação com a China está muito boa e, agora, eles respeitam nosso país", afirmou o líder americano.

Em pronunciamento feito no jardim da Casa Branca, seguido de uma entrevista coletiva, Trump disse, novamente, que gosta de tarifas e que os EUA ganharam bilhões de dólares da China por causa delas. No entanto, disse também que adora negociar e está "fazendo isso agora com a China".

Trump não deu detalhes nem aprofundou seus comentários sobre as negociações comerciais sino-americanas. Mas se mostrou cético quanto a um aval da oposição democrata caso um acordo com os chineses seja firmado. "Qualquer acordo que fizermos será contestado pelos democratas", disse o republicano, citando, diretamente, o líder republicano no Senado dos EUA, Chuck Schumer (Nova York).

O presidente se gabou da força da economia americana. De acordo com ele, enquanto outras economias estão "horríveis", a dos EUA está "fenomenal".

Trump comentou também que tem uma relação "muito boa" com o Reino Unido e disse acreditar que os britânicos irão se favorecer de um acordo comercial que for firmado com Washington, embora tenha colocado um sinal de cautela devido ao processo de divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia (Brexit).

Consenso prévio

Autoridades de alto escalão da China e dos Estados Unidos chegaram a um consenso prévio sobre os principais assuntos da disputa comercial entre os dois países durante os dois dias de discussões que terminaram nesta sexta, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

Os dois lados "trabalharão duro" para chegar a um acordo comercial, afirmou a agência, confirmando que as negociações terão continuidade em Washington na próxima semana.

Segundo a Casa Branca, autoridades "em níveis ministerial e vice-ministerial"  participarão das reuniões.

Nos encontros desta semana, estiveram presentes o secretário do Tesouro e o representante comercial americanos, Steven Mnuchin e Robert Lighthizer, e, do lado chinês, o vice-premiê Liu He e até o presidente Xi Jinping, nesta sexta-feira. "As conversas também tiveram trocas técnicas extensas entre as equipes profissionais de ambos os países", afirmou o governo dos EUA em nota à imprensa.

"Ambos os lados continuarão trabalhando em todas as questões pendentes antes do prazo de 1.º de março de 2019 para um aumento da tarifa de 10% sobre certos bens chineses importados", informou, em nota, a Casa Branca. "Autoridades dos EUA e chinesas concordaram que quaisquer compromissos serão anunciados em um Memorando de Entendimento entre os dois países."

O governo americano disse que, até agora, seu foco recaiu sobre transferência forçada de tecnologia, direitos de propriedade intelectual, roubo cibernético, agricultura, serviços, barreiras não tarifárias e câmbio. "Os dois lados também discutiram as compras pela China e bens e serviços dos EUA para reduzir o grande e persistente déficit comercial bilateral dos EUA com a China."

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