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Acordo com FMI ainda não está maduro, diz Lavagna

O ministro da Economia argentino, Roberto Lavagna, afirmou hoje que as negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda não estão ?maduras?. A declaração do ministro foi feita um dia depois que o presidente do país, Eduardo Duhalde, conseguiu o apoio político por parte da maioria dos governadores das províncias e lideranças do Congresso Nacional - uma das principais exigências do Fundo.Segundo Lavagna, ainda não há data definida para assinatura de um acordo entre a Argentina e o FMI, que permita a reprogramação das dívidas do país neste ano e em 2003. O ministro desmentiu os rumores sobre a chegada de uma nova missão técnica do FMI na próxima segunda-feira.Apesar da vitória relativa de Duhalde em conseguir a principal exigência do FMI - o consenso político para implementar as medidas econômicas - as dúvidas sobre a obtenção de um acordo ainda pairam sobre o governo argentino. Lavagna tentou mostrar-se confiante de que os governadores e lideranças parlamentares manterão sua palavra e afirmou ter quase uma certeza de que as medidas serão aprovadas no Congresso Nacional.No entanto, para os analistas políticos, o governo não está em condições de começar a cantar vitória. A partir de hoje, quando começarem a ser analisadas as medidas exigidas pelo FMI no Parlamento, o governo Duhalde se deparará com a oposição tenaz de diversos grupos. Um dos maiores inimigos de Duhalde, o ex-presidente Carlos Menem, controla 20 deputados dentro do partido de ambos, o Justicialista (Peronista), e possui forte influência em outros dez, pertencentes a partidos provinciais.Duhalde não poderá contar com estes votos, nem as outras cinco dezenas de parlamentares pertencentes a partidos de esquerda, centro-esquerda, além das dissidências que ocorreriam dentro da União Cívica Radical (UCR), o segundo maior partido do país, que formalmente declarou seu apoio a Duhalde. No entanto, o apoio da UCR ainda precisa ser confirmado, já que as lideranças do partido não consultaram o resto de seus parlamentares.Das medidas exigidas pelo FMI, pelo menos duas causam receios nos parlamentares - a lei da suspensão de prorrogação de hipotecas e a lei de entidades financeiras. Além disso, a nova modificação da data das eleições presidenciais (do dia 30 de março para 27 de abril de 2003) também enfrenta resistências em alguns setores do Congresso Nacional.Também pairam sobre a Casa Rosada, a sede do governo, dúvidas de que as promessas dos governadores, de implementar drásticos ajustes fiscais em suas províncias, serão rapidamente esquecidas.FMIDiante disso, o FMI prefere não arriscar-se a assinar um acordo sem antes ver as medidas concretizadas. Em Washington, o porta-voz do Fundo, Thomas Dawson, anunciou que se o governo argentino quiser o fechamento do acordo financeiro com o organismo internacional, precisará concretizar as medidas que exige. "A implementação das medidas será essencial para o apoio", disse Dawson. Isto significa que mais uma vez - escaldado com as várias promessas nunca cumpridas pelos governos argentinos - o FMI esperará para ver a realização das medidas anunciadasSegundo Dawson, o calote da Argentina com o Banco Mundial - para quem o governo Duhalde deixou de pagar uma dívida de US$ 805 - "complica as negociações". O porta-voz recordou que o pagamento das dívidas com os organismos financeiros havia sido uma das promessas do governo Duhalde em abril.Fim da recessãoO ministro Lavagna sustentou que tecnicamente o governo Duhalde poderá anunciar o "fim da recessão" no final deste ano. O ministro argumentou que no segundo e no terceiro trimestre o PIB registrou crescimento em relação aos trimestres anteriores. Segundo ele, caso o quarto trimestre de 2002 também apresente crescimento, a recessão terá acabado. Lavagna afirmou que "em todo o mundo" é aceitável que a recessão termina quando o país registra três trimestres consecutivos de crescimento. Apesar dos argumentos de Lavagna, calcula-se que o PIB argentino, em relação ao ano passado, despencará pelo menos 12%.Diversos rumores que circularam nas últimas semanas em Buenos Aires indicavam que o ministro poderia ser colocado como candidato a vice de um eventual presidenciável "apadrinhado" pelo presidente Duhalde. No entanto, Lavagna descartou que tenha aspirações políticas. Segundo ele, quando deixar o ministério pretende voltar a lecionar na Universidade de Buenos Aires (UBA). O anúncio chamou a atenção, já que a maioria dos professores da UBA não ganham mais de 500 pesos (US$ 142) por mês.

Agencia Estado,

19 de novembro de 2002 | 18h36

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