Acordo com FMI-Argentina está próximo, diz fonte do governo

O governo argentino está a ponto de assinar o tão esperado acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que incluiria o refinanciamento dos vencimentos até o final de 2003 e um aporte de US$ 1 bilhão para o ordenamento das finanças provinciais. Este é o balanço das intensas semanas de negociações entre a equipe econômica do Ministério de Economia que se encontra em Washington com os técnicos e diretores do FMI. A informação é de uma alta fonte do ministério. "Tanto avançamos que amanhã mesmo regressará a Buenos Aires o secretário de Finanças e o resto da nossa equipe, coisa que somente ocorreria depois que o rascunho da carta de intenções estivesse pronto", disse a fonte.O acordo seria assinado nos próximos dias e passaria a valer a partir de novembro, com revisão bimestral e acompanhamento do FMI do cumprimento das metas, começando no mês de janeiro. Os vencimentos da dívida com o FMI, entre novembro a dezembro de 2003 giram em torno de US$ 10,3 bilhões. Com o refinanciamento, o atual governo e aquele que será eleito no ano que vem poderão respirar aliviados. Além disso, há uma grande chance, segundo a fonte, do FMI liberar a parcela de US$ 900 milhões de dólares que já tinham sido aprovadas e que foram retidas em 5 de dezembro do ano passado. O refinanciamento das dívidas não implica os montantes que o governo deve ao Banco Mundial e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento. Porém, o acordo servirá para destravar programas de créditos que ambos bancos pretendem desenvolver com a Argentina e que servirão para financiar parcial ou totalmente o pagamento das respectivas dívidas. Segundo a fonte, falta, no entanto, entendimentos sobre o programa monetário e a reestruturação do sistema financeiro. Falta de consensoNo rascunho da carta de intenções há muito colchetes sobre estes dois temas, o que significa a falta de consenso entre as partes sobre o mesmo. O ministro de Economia, Roberto Lavagna , receberá o rascunho da carta para análise e, a partir daí, se decidirá se viajará a Washington ou se o FMI enviará a equipe negociadora para assinar a carta. Entretanto, vale registrar que por reiteradas vezes, o país chegou ao mesmo ponto em que se encontra agora, diante da iminente assinatura do acordo mas terminou em nada porque o FMI fazia novas exigências para serem cumpridas. Trocando em miúdos, apesar do ânimo da fonte e do governo, é bom não contar ainda com este gol até que a rede trema porque a trave poderá ser novamente movida de seu lugar e a bola não entrar.

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