Coluna

Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Acordo com FMI daria aval às políticas do governo, diz Loyola

O ex-presidente do Banco Central (BC), Gustavo Loyola, acredita que o Brasil não precisa de uma renovação do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo ele, o acordo daria "uma espécie de aval" para as políticas que estão sendo feitas pelo governo Lula, o que, talvez, justifique sua renovação. "Se não fizer um novo acordo, será difícil para o País mudar as políticas em curso", disse, referindo-se especificamente a uma redução da meta do superávit primário. Ao renovar o acordo, segundo Loyola, o governo ganharia essa "flexibilidade", permitindo mudanças nessas políticas sem o risco de uma reação negativa por parte do mercado financeiro internacional. "Sem o fundo, o Brasil precisará ser mais realista do que o rei", afirmou, ponderando que o fundo tem um papel de ser "o elemento de comunicação da política de um determinado país com a comunidade internacional. Hoje, explica Loyola, isso é mais importante do que o papel financeiro de um acordo. CredibilidadeO ex-presidente do BC lembrou das dificuldades que os agentes do mercado internacional têm para compreender as peculiaridades dos mercados emergentes, optando por simplificações e comparações entre os países. "Quem sabe o FMI alcançou um papel novo, ao dar esse aval e traduzir políticas domésticas para o mercado internacional", ponderou. Em contrapartida, Loyola admitiu que o Brasil, se seguir esse raciocínio e renovar o acordo, pode ficar "cada vez mais amarrado" ao Fundo. Para cortar essas amarras e construir confiança com investidor internacional, o ex-presidente do BC acredita que será necessário mais tempo para que se reforce a credibilidade do País. Assim, a renovação, se vier, poderá ser feita em outros termos e terá uma duração de mais um ano, quando talvez o governo não tenha mais necessidade de uma nova carta da instituição. Loyola participou nesta manhã do seminário "A construção da autoridade monetária e democracia: a experiência brasileira no contexto da integração econômica em escala global", na Fundação Getúlio Varfas (FGV) de São Paulo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.