seu bolso

E-Investidor: O passo a passo para montar uma reserva de emergência

Acordo com FMI é mais importante do que dinheiro, diz BC argentino

O presidente do Banco Central da Argentina, Mario Blejer, disse que um acordo de seu país com o FMI seria mais importante do que um novo empréstimo liberado pelo Fundo. Segundo Blejer, os recursos que o FMI liberaria não seriam tão significativos quanto o acordo em si, no sentido de restabelecer a confiança no país. Ele afirmou que, por meio deste acordo, a Argentina poderá recomeçar a conquistar confiança interna e externa, abrir possibilidade de negociação com outros organismos (como Bird e BID) para conseguir novos recursos para a área social e permitir discussões mais claras em torno da renegociação da dívida externa.Mario Blejer disse que, nos próximos dias, a secretaria de finanças do Ministério de Economia já estará mantendo contato com credores do país. Ex-funcionário do FMI, onde trabalhou por 21 anos, Blejer comentou com os jornalistas brasileiros que já conversou várias vezes com o novo negociador do fundo responsável pela Argentina, Anoop Singh, e acredita que, se não houvesse uma intenção de acordo com a Argentina, o fundo não teria enviado uma missão ao país.CâmbioO presidente do BC argentino afirmou que se todas as condições forem dadas (acordo com FMI, controle do déficit fiscal, controle monetário, renegociação da dívida pública e privada e superávit comercial), o câmbio poderá ficar abaixo de dois pesos, e até entre 1,60 e 1,70 peso por dólar, como disse o presidente da Argentina, Eduardo Duhalde. Porém, Blejer fez uma ressalva: "Se não nos dão essas condições, pode acontecer qualquer coisa". Ele lembrou que, ontem, não houve intervenção do BC e a taxa de câmbio baixou por causa da liquidação de exportações.Bancos e "corralito"Mario Blejer disse que o sistema bancário do seu país está passando por um processo de contração, mas que, com o passar do tempo, irá se recuperar. De acordo com Blejer, um dos pontos positivos do "corralito" foi o aumento da ?bancarização? da Argentina. "Quem abriu sua conta no banco já se acostumou e não vai deixar", afirmou. Blejer disse que o problema do sistema bancário é de recapitalização, e não de reestruturação. Segundo ele, depois de "passada a tormenta" será preciso planejar medidas para evitar que ocorram problemas do mesmo tipo no futuro, além de pensar também em como consolidar as operações dos bancos públicos. O presidente do BC negou uma fusão dos bancos públicos, mas admitiu que algumas funções poderão ser unificadas. Ele disse que se um banco não tem capital e não quer se recapitalizar, isso significa que esse banco quer sair do sistema. "Alguns bancos sairão, porém outros vão se expandir", afirmou. Blejer disse ainda que não conhece nenhum caso de insolvência de bancos na Argentina, mas somente de problemas de liquidez. De acordo com ele, depois de resolvidos os problemas do Banco Galicia, o sistema financeiro já estará sem dificuldades. Blejer afirmou também que passado o momento atual, em uma nova fase os bancos deverão fazer uma nova avaliação das suas carteiras e títulos públicos. "O problema bancário está controlado porque não é de insolvência, e sim de liquidez. Por isso é preciso recapitalizar", insistiu Blejer durante entrevista a correspondentes estrangeiros na Argentina. O presidente do BC revelou ainda que conversa bastante com seu colega do BC brasileiro, Arminio Fraga, e que este tem dado muitos conselhos, dizendo coisas que devem e não devem ser feitas. Apesar dessas conversas Blejer disse que, por enquanto, a Argentina não adotará o sistema de metas de inflação "porque não estão dadas as condições, e ainda não sabemos os impactos da desvalorização". No entanto, afirmou, o sistema de metas de inflação "é uma idéia boa". Blejer revelou ainda que o Banco Central argentino criará em seu país o correspondente ao Copom (Comitê de Política Monetária) do BC brasileiro. O presidente do BC argentino disse que a fuga de depósitos dos bancos "não é problema". "Isso podemos administrar. O problema é que, nesse ritmo, não podemos desarmar o "corralito" antes de dois anos." Ele disse ainda que, se as condições que mencionou anteriormente forem dadas, o "corralito" poderia ser liberado em três ou quatro meses.Sobre a emissão de bônus regionais - as chamadas moedas paralelas - Mario Blejer afirmou que não se preocupa com isso, porque há meios legais para se controlar a emissão excessiva e sem autorização do governo federal, como ocorreu nas províncias de Formosa e Salta, impedidas de emitir mais bônus do que o previsto. Segundo ele, o que preocupa é que as províncias continuem gastando mais do que está fixado no orçamento. Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.