Acordo com FMI tem caráter preventivo

O secretário para Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Otaviano Canuto, disse hoje que a renovação do acordo do Brasil com o FMI funcionaria como um "descompressor" para o período pós-Fundo. "A possibilidade de assinatura do acordo decorre apenas do que foi sinalizado pelo mercado e por nós de criar uma descompressão entre o acordo e o período pós-Fundo. Vamos fazendo as coisas gradualmente, apresentando um colchão para uma eventual turbulência no ano que vem. A idéia é essa descompressão", afirmou Canuto em entrevista após participar da assinatura de dois grupos de trabalho com o governo espanhol.O secretário destacou que o fluxo de pagamentos no exterior do País em 2004 está tranqüilo e também a situação fiscal. Por isso, destacou ele, a renovação do acordo teria uma função o preventiva. Na sua avaliação, a tranqüilidade do balanço de pagamentos sinaliza a tendência de se ter um acordo mais preventivo. "Mais de prevenção e não de necessidade de aporte de recursos", ressaltou, acrescentando que o acordo funcionaria como um seguro ao País. "Não é tomar um empréstimo. É pegar um seguro", disse. Canuto, ao ser questionado sobre os riscos de turbulências no cenário externo que o Brasil pode enfrentar, disse que, a rigor, todo mundo se preocupa com os desequilíbrios entre as economias desenvolvidas e também com a possibilidade de uma não recuperação da economia mundial. Mas destacou que estes são riscos que estão sendo reduzidos a cada dia que passa."Os sinais de recuperação da economia norte-americana são sustentáveis e, de certa forma, o dólar tem deslizado e se ajustado em relação às outras moedas de forma gradual, o que tende a fazer com que, no futuro, o problema de desequilíbrio na conta corrente norte-americana deixe de ser tão preocupante como é hoje." Para o secretário, no plano internacional, "o cenário está indo bem". "A cada dia as boas notícias tem predominado sobre as más notícias", afirmou.

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