Yuri Gripas/Reuters
Yuri Gripas/Reuters

Acordo com Fundo deve acelerar ajuste fiscal na Argentina

Para FMI, estratégia de gradualismo do governo Macri terá de ser modificada para acomodar as condições do mercado

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2018 | 04h00

O acordo da Argentina com o Fundo Monetário Internacional (FMI) exigirá que o governo de Mauricio Macri realize um ajuste fiscal mais rigoroso e em menor tempo do que o previsto pelo gradualismo que marcava sua política econômica. Mas o programa dará margem para revisão das metas de déficit público, caso haja necessidade de expansão do gasto social.

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Em vez de focar apenas em questões macroeconômicas, como no passado, o empréstimo de US$ 50 bilhões anunciado na quinta-feira tem um condicionamento social e exige que o governo mantenha por três anos o patamar atual de gastos nessa área, como proporção do PIB.

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“A mudança nas condições financeiras internacionais fez com que a estratégia de gradualismo, de cortar o déficit, se modificasse ligeiramente para acomodar as condições mais apertadas nos mercados financeiros internacionais”, disse o diretor do FMI para as Américas, Alejandro Werner, em entrevista coletiva, ressaltando que o programa foi elaborado pelas autoridades argentinas.

As metas de déficit primário foram reduzidas de 3,2% para 2,7% do PIB neste ano e de 2,2% para 1,7% em 2019. O prazo para obtenção de equilíbrio nas contas públicas foi antecipado de 2021 para 2020. Para 2021, é previsto superávit de 0,5% do PIB.

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Os porcentuais poderão ser revistos em caso de deterioração da pobreza. “O objetivo é que o governo não tenha de escolher entre construir uma ponte e socorrer os mais vulneráveis”, declarou o chefe de missão para a Argentina, Roberto Cardarelli. Segundo ele, essa flexibilidade faz com que as medidas adotadas sejam sustentáveis no médio prazo. “Nenhum programa macroeconômico pode ignorar a questão social. É impossível ignorar o impacto das políticas econômicas sobre divisão de renda e pobreza.”

Durante a crise que levou ao calote da Argentina em 2001, o FMI adotou metas rigorosas de ajuste fiscal, em um cenário de retração do crescimento e agravamento das condições sociais, o que nutriu a hostilidade de grande parte da população em relação à instituição.

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