Acordo com petrolíferas inviabiliza investimento na Bolívia

O acordo assinado pelas petroleiras com o governo boliviano praticamente inviabiliza novos investimentos no país para aumento de produção. A opinião é do professor do Instituto de Economia da UFRJ e especialista no setor de energia, Edmar de Almeida. Na prática, ele avalia que as empresas serão remuneradas com uma média de US$ 1 por milhão de BTU (unidade calorífica que mede o volume de gás), o que somente "equilibra as margens das empresas, impedindo-as de ter prejuízo no negócio". "A visão boliviana foi a seguinte: quando as empresas chegaram ao país, no início dos anos 90, elas começaram a explorar as reservas sendo remuneradas com este valor (US$ 1). Então, por que não repassar ao governo os outros cerca de US$ 4 por milhão de BTU que foram agregados ao valor da produção nos últimos anos?", analisou.Este raciocínio, segundo ele, leva a Bolívia a uma situação bastante difícil na busca de novos investimentos, porque o valor pago não remunera uma empreitada exploratória. "O local certamente não será atraente para qualquer investidor num curto e médio prazo. Por que alguém colocaria dinheiro novo lá, se pode colocar em Angola, por exemplo, garantindo uma melhor remuneração?", indagou.Ainda na opinião do professor, apesar da "boa vontade" demonstrada pelas empresas em se comprometer com novos investimentos, é quase "inacreditável" que esta intenção vá além da "tentativa de ser amigável com o governo boliviano".Especificamente com relação à Petrobras, o professor avalia que o acordo foi uma "saída honrosa", por impedir que a estatal se transformasse em operadora. "Por outro lado, o acordo traz para a Petrobras o desafio de buscar novas fontes de suprimento para atender ao crescimento da demanda nos próximos anos. Afinal, é fato que não dá mais para se esperar nada de aumento de produção na Bolívia", comentou, lembrando que a própria estatal se comprometeu a investir no país estritamente o necessário para garantir o cumprimento do contrato, no volume de 30 milhões de metros cúbicos.

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