Alberto Valdés/EFE
Alberto Valdés/EFE

Acordo com UE não prejudica crítica do governo Bolsonaro ao globalismo, diz chanceler

Segundo ele, crítica não se direciona ao livre-comércio, mas à negação da soberania dos países

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 14h26

BRASÍLIA - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que movimento do Brasil de apoiar a conclusão das negociações entre Mercosul e União Europeia não se choca com a crítica feita pelo governo Jair Bolsonaro do avanço do “globalismo” no mundo. 

Segundo ele, a crítica ao “globalismo” não se direciona ao livre-comércio, mas à negação da soberania dos países. “O que se vê é que, em alguns momentos, o comércio pode ser usado como ferramenta para o tema da desnacionalização. Para você fazer comércio, tem que se submeter para determinadas coisas, não pode mais definir sua política educacional, sua política de família. Então, nosso esforço nessa crítica ao globalismo é justamente nesse ponto. Aí vem a aliança liberal-conservadora", afirmou o ministro.

Ele explicou que essa “aliança liberal-conservadora” une a visão de uma “economia que se abre” ao mundo com uma “base sólida e saudável de uma sociedade com valores profundos”.

Araújo afirmou que esses elementos globalistas, que negam a soberania nacional, não constam do acordo com a União Europeia, apesar do tratado envolver compromissos comuns a serem seguidos pelos quatro países do Mercosul e pelos 28 países da UE em áreas como preservação ambiental e direitos humanos. 

Segundo ele, assim como o Mercosul, os europeus também estão num processo de se liberar de “ideologias”.

“O mundo está abrindo os olhos para essa nova realidade e isso tem muito a ver com essa nova postura do Brasil. No caso específico da União Europeia, assim como fizemos esse grande trabalho de desideologizar o Mercosul, a UE também está se desideologizando. É um bloco que busca sua eficiência, sem a concepção de substituição das nações por algo antinacional”, afirmou o chanceler brasileiro.

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