Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Acordo com União Europeia é prioridade para o Mercosul neste ano, afirma Dilma

Ao lado do presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, Dilma afirmou que vai propor calendário para que negociações comerciais se desenrolem neste ano

O Estado de S. Paulo

21 Maio 2015 | 13h48


BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff afirmou, nesta quinta-feira, 21, que o Mercosul deve propor à União Europeia um calendário de negociações para concluir neste ano o acordo de comércio bilateral entre os blocos econômicos. A declaração foi feita ao lado do presidente Uruguai, Tabaré Vázquez, em cerimônia no Palácio do Planalto.

"Vamos continuar aperfeiçoando o Mercosul e diversificando parcerias comerciais", disse Dilma. "Fazer o acordo entre o Mercosul e a União Europeia este ano é prioridade da agenda externa do bloco. Vamos propor à União Europeia que definamos para o mais breve prazo possível a data de apresentação simultânea das nossas propostas comerciais", afirmou.

A presidente ressaltou que o Mercosul segue como mecanismo comercial importante para a América do Sul por ser "um ambicioso processo de integração" regional e classificou o bloco de "patrimônio comum" que precisa de adaptar às circunstâncias. "Não podemos nos acomodar, precisamos melhorar, avançar, cada vez mais. Um passo importante consiste na elaboração de programas que contribuam para a diminuição de assimetrias entre os sócios", disse.

Energia uruguaia. Ao lado do presidente uruguaio, Dilma Rousseff voltou a afirmar que o Brasil pretende estabelecer um "intercâmbio permanente de eletricidade" com o vizinho. Os países já realizaram uma série de empreendimentos no setor. A parceria já havia sido detalhada em fevereiro pelo presidente da Eletrobras, José da Costa Carvalho Neto, que disse que importar energia do Uruguai será algo vantajoso para o Brasil, o que se refletirá na tarifa praticada no País.

O parque eólico de Artilleros, no Uruguai, é o primeiro empreendimento da Eletrobras a gerar energia no exterior. O investimento do projeto é de US$ 103 milhões, dos quais US$ 23,5 milhões foram bancados pela Eletrobras - o restante foi pago pela estatal uruguaia UTE e pela Corporación Andina de Fomento.

Segundo a Eletrobras, a energia produzida pelo parque se destinará ao sistema elétrico do Uruguai, mas a capacidade instalada naquele país vai permitir que a geração de excedentes de energia seja intercambiada com o sistema elétrico brasileiro.

Brics. Dilma classificou ainda como "fundamental" a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como "Banco dos Brics", o grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. "O banco dos Brics é algo fundamental porque garante o acesso a recursos importantes e o acordo de contingenciamento de reservas é uma proteção a variações cambiais e a todas as variações internacionais", afirmou.

Fundo. Dilma destacou que o Brasil está trabalhando pela renovação do Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (Focem), que foi criado em dezembro de 2004. O fundo tem como objetivo aprofundar o processo de integração regional no Cone Sul, por meio da redução de assimetrias e do incentivo à competitividade na região. O Brasil é o país do Mercosul que fez a maior aporte no fundo. (Nivaldo Souza, Rafael Moraes Moura, Mário Braga e Carla Araújo)

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