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Acordo conclusivo parece ilusório em cúpula da UE

As perspectivas pareciam fracas para um acordo abrangente para resolver a crise de dívida da zona do euro durante a cúpula desta quarta-feira, com divergências permanecendo em pontos críticos, inclusive em como dar poder maior ao fundo de resgate da região.

LUKE BAKER, REUTERS

26 de outubro de 2011 | 08h31

Autoridades da UE e diplomatas europeus baixaram as expectativas de um grande avanço para quando os 17 líderes da zona euro se reunirem, às 15h30 (horário de Brasília), apesar das garantias franco-alemãs de que uma "solução abrangente" anticrise será encontrada até o fim do mês.

Os líderes podem concordar apenas em linhas gerais e deixar detalhes cruciais, como os números sobre o desconto em dívida grega e sobre os fundos disponíveis para combate, para uma negociação posterior entre os ministros das Finanças.

Embora haja amplo consenso sobre a necessidade de uma injeção de cerca de 110 bilhões de euros para o sistema bancário europeu resistir a um eventual default da dívida grega e a um maior contágio financeiro, havia pouca clareza sobre as outras duas partes críticas do plano.

Governos e os bancos ainda estavam discutindo, horas antes da cúpula, sobre a escala da perda que os investidores privados terão de sofrer nos títulos gregos que possuem, de acordo com fontes familiarizadas com as negociações.

E muitas incertezas permanecem em torno dos complexos planos para ampliar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF), sem que seja permitido recorrer ao Banco Central Europeu (BCE).

Uma proposta definida para ser adotada envolve a criação de um veículo de investimento para fins especiais, que recorreria a investidores estrangeiros soberanos e privados, tais como fundos soberanos da China e do Oriente Médio, para comprar títulos de países conturbados da zona euro.

A delegação da UE em Pequim disse que o chefe do EFSF, Klaus Regling, visitará a China na sexta-feira.

O outro método proposto para a expansão do EFSF envolve usá-lo para oferecer garantias parciais aos compradores de nova dívida da zona do euro. As duas opções podem ser usadas em combinação.

DESCONTO DE 50 POR CENTO?

O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse aos bancos do país nesta quarta-feira que o resultado mais provável das negociações é um desconto de 50 por cento para os credores privados, que receberiam dinheiro e novos títulos em troca da dívida.

Citando fontes em Bruxelas, onde o ministro tem se reunido com banqueiros, o jornal Kathimerini disse que, neste cenário, os bancos receberiam 15 euros em dinheiro e 35 euros em títulos de 30 anos, com um cupom de 6 por cento, por cada 100 euros em dívida que possuem.

A proporção exata de títulos e dinheiro ainda pode mudar, disse.

Fontes do setor bancário e funcionários da UE disseram à Reuters que os bancos tinham oferecido até agora uma redução de 40 por cento no valor presente líquido das seus títulos, enquanto os governos tinham inicialmente buscado um desconto "voluntário" de 60 por cento sobre o valor nocional.

Os mercados financeiros esperam há semanas que a cúpula produza uma solução detalhada sobre como combater a crise de dívida. A reunião está prevista para começar às 13h, com um encontro de todos os 27 líderes da UE.

Mas fontes do bloco disseram que números podem não se materializar até 7 ou 8 de novembro, quando os ministros das Finanças da UE e da zona do euro realizam sua próxima reunião regular.

CARTA DE INTENÇÕES

A incapacidade da Itália em entregar um plano para reformar o seu sistema previdenciário tem levantado dúvidas sobre a seriedade do primeiro-ministro Silvio Berlusconi para enfrentar a crise, que ameaça a terceira maior economia da zona do euro.

Berlusconi trará a Bruxelas uma "carta de intenções" para seus colegas europeus sobre as reformas esperadas, disseram assessores, depois que seu governo quase colapsou na terça-feira, por causa da exigência que Roma cumpra a promessa de aumentar a idade de aposentadoria.

A Itália tem o maior mercado de bônus soberanos da zona do euro, com uma dívida pública de 1,8 trilhão de euros, ou 120 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Líderes da UE temem que a incapacidade em tornar sua dívida mais sustentável significa que o país vai da mesma forma como Grécia, Irlanda e Portugal, que tiveram de aceitar programas de ajuda financeira da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O fundo de resgate da zona do euro não contém dinheiro suficiente para salvar a Itália.

(Reportagem adicional de Michael Martina em Pequim, Breidthardt Annika e Sarah Marsh em Berlim, Daniel Flynn e Harry Papachristou em Atenas, Phil Pullella em Roma)

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