Acordo da Argentina com FMI pode atrasar

A missão do Fundo Monetário Internacional regressará hoje a Washington com o primeiro rascunho da carta de intenções para ser analisado pela diretoria do organismo. Embora o cronograma das negociações esteja sendo cumprido, o fechamento do acordo poderia sofrer um atraso de uma a duas semanas, segundo o sub-secretário de Finanças, Sebastián Paglia, em conversa durante reunião fechada com empresários. Oficialmente, o governo conta com a assinatura do acordo até a primeira semana de setembro para evitar o uso de dinheiro das reservas internacionais do Banco Central com o pagamento de quase US$ 3 bilhões que vencem no dia 9 de setembro. O presidente Néstor Kirchner não quer tocar nas reservas para cumprir compromissos financeiros mas essa solução seria inevitável porque não haverá tempo hábil para que a diretoria do FMI aprove o acordo até a primeira semana de setembro. Segundo uma fonte empresarial que participou da reunião, para que a Argentina não tenha de pagar o vencimento mencionado com as reservas, seria necessário uma remessa de dinheiro do organismo, como parte do acordo de três anos. Porém, o país já excedeu sua quota de crédito permitida pelo FMI, uma situação que poderia ser revertida somente com uma decisão da diretoria para aprovar o acordo e a remessa. O ministro de Economia, Roberto Lavagna, trabalhava com a data de 20 de agosto para terminar a redação da carta de intenção para que a mesma fosse aprovada durante a reunião da diretoria do FMI a ser realizada no dia 2 de setembro. No entanto, o chefe da missão, John Dodsworth, comunicou ao ministro que devido aos "problemas técnicos", o acordo se atrasaria, segundo relato da fonte. Depois da experiência de uma negociação de 11 meses para a assinatura do atual acordo transitório de seis meses, Roberto Lavagna, já não está confiante de que desta vez será diferente. Na equipe econômica há o temor de que o FMI esteja novamente querendo atrasar o fechamento do acordo. Seria uma espécie de prova para o governo: "primeiro paguem com as reservas a parcela da dívida, depois fecharemos o acordo", disse a fonte.

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