Acordo derruba barreiras entre Brasil e Argentina

Com duas fábricas de azeitonas fechadas por causa das restrições, Argentina recua e aceita liberar a entrada de carne suína brasileira

MARINA GUIMARÃES , TÂNIA MONTEIRO, ENVIADAS ESPECIAIS / MENDOZA , O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h03

A Argentina decidiu afrouxar as barreira impostas contra a carne suína brasileira para, em contrapartida, restabelecer exportações de carros, azeitonas, azeite de oliva e outros alimentos ao Brasil.

A medida faz parte de um "acordo de cavalheiros" entre os dois países, e envolve cerca de 10 produtos sensíveis de ambos os lados da fronteira, cuja comercialização se encontra virtualmente paralisada.

Os argentinos decidiram recuar das barreiras que vinham impondo após notícia de fechamento de duas fábricas de azeitonas e azeite de oliva, nesta semana, em La Rioja e Mendoza.

A primeira, Nucete, emprega 500 operários, e 75% de suas exportações são absorvidas pelo mercado brasileiro. A outra é a Finca La Liliana.

O secretário de Agroindústria da Província de Mendoza, Marcelo Barg, relatou ao Estado que manteve reuniões com a secretária de Comércio Exterior do Brasil, Tatiana Prazeres, e empresários locais, para transmitir ao governo brasileiro a asfixia da indústria mendozina.

O fator que pesou na decisão do governo de Cristina Kirchner para começar a acelerar as importações foi o pé no freio que o Brasil colocou para a entrada dos carros argentinos, que se acumulam nas fábricas.

"Se, de fato, eles destravarem as barreiras contra a carne suína, nós poderemos fazer um gesto e, por exemplo, destravar algumas importações de carros argentinos, que estão paradas há mais de 60 dias", comentou uma autoridade do governo brasileiro.

O "acordo", no entanto, ainda não está sacramentado, como querem fazer crer autoridades argentinas. Ao deixar o hotel Sheraton, onde a delegação brasileira ficou hospedada durante a Cúpula do Mercosul, a secretária de Comércio Exterior, quando foi questionada se Brasil e Argentina tinham chegado a um acordo, perguntou: "Que acordo?"

No início da noite de ontem, o Ministério de Agricultura da Argentina informou em nota oficial que o país garante a entrada efetiva de um grupo de produtos brasileiros. Em contrapartida, espera que o Brasil comece a liberar licenças para uma lista de produtos argentinos.

Autos. Brasil e Argentina vão começar a discutir um novo acordo comum para o setor automobilístico a partir de julho. O ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, acertou na noite de quinta-feira com sua colega argentina, Débora Giorgi, agendar um primeiro encontro para tratar do assunto na segunda quinzena de julho.

"A ideia é avançar em um acordo que possa reverter o déficit de autopeças que temos com outros países - são US$ 22 bilhões do Brasil e US$ 6,9 bilhões da Argentina em déficit", ressaltou a fonte argentina.

Os ministros também discutiram a criação de um programa de compras governamentais, que permitiria pagar mais por produtos originários do Brasil e da Argentina. O mecanismo seria semelhante ao programa de compras do governo brasileiro, que permite o pagamento de até 25% a mais nas licitações por produtos nacionais. A extensão do mecanismo para o Mercosul já estava prevista no lançamento do programa, no ano passado.

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