Acordo deve favorecer crédito imobiliário

O fluxo de recursos destinados a financiamentos imobiliários, que hoje gira em torno de R$ 40 milhões por mês, poderá crescer para R$ 190 milhões por mês, já a partir dos próximos meses. Esse seria o resultado de um acordo entre o Banco Central e alguns grandes bancos, resolvendo uma pendência que se arrasta há quase sete anos.Essa pendência diz respeito a um montante de R$ 15,1 bilhões em créditos que os grandes bancos - como Bradesco, Itaú e Unibanco - mantinham até novembro de 1995 junto ao Fundo de Compensações de Variações Salariais (FCVS). Nessa ocasião, quando do antigo Banco Nacional foi liquidado pelo BC, estes créditos foram adquiridos no mercado para dar como garantia em empréstimo concedido ao Nacional no âmbito do Poer, o programa de socorro a bancos quebrados. E os grandes bancos, apesar de venderem os créditos, continuaram computando-os como financiamento, com autorização do BC. "Não era possível punir as instituições exigindo que elas concedessem d uma hora para outra financiamentos nesse montante", justifica o diretor de normas do BC, Sérgio Darcy.O montante em questão é significativo: R$ 15,1 bilhões é dinheiro suficiente para financiar a compra de 215 mil imóveis, levando em conta o valor médio de um financiamento concedido pela Caixa Econômica Federal para a classe média, que é de R$ 70 mil. Recentemente, as próprias instituições financeiras e o setor da construção civil entregaram uma proposta ao BC para a solução da pendência, que prevê um desmonte gradual ao longo dos próximos oito anos e três meses. "A idéia é liberar mensalmente 1/100 do total", explica Darcy. Isso aumentaria o fluxo mensal em cerca de R$ 150 milhões, 1% do montante total.Atualmente, esse fluxo é de algo próximo a R$ 40 milhões por mês. Segundo o diretor, os setores envolvidos entendem que a quantia adicional é um valor razoável para colocar no mercado neste momento.

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