Acordo do G-20 deixa questões em aberto

Depois de muita polêmica e debate, os ministros de Finanças e presidentes dos bancos centrais do G-20 conseguiram chegar a um acordo para tentar resolver os desequilíbrios globais. Os membros do grupo estabeleceram parâmetros para medir as disparidades econômicas entre os países. Como havia muita discordância, no entanto, alguns pontos foram deixados em aberto para negociação futura. O comunicado divulgado hoje à tarde, em Paris, usa conceitos amplos para abarcar pontos de divergência.

DANIELA MILANESE E ANDREI NETTO, Agencia Estado

19 de fevereiro de 2011 | 16h37

A questão mais polêmica é o objetivo do grupo de preparar um caminho para tratar dos problemas trazidos pelo elevado superávit da China, em contraste ao forte déficit dos Estados Unidos.

O G-20 conseguiu chegar aos quesitos que serão observados. Do ponto de vista interno, serão a dívida pública e o déficit fiscal. Na questão externa, o foco é o saldo da conta de transações correntes "levando em consideração o câmbio e as políticas fiscal e monetária". Na prática, a frase deixa esses pontos em aberto para negociação futura, em razão da resistência de alguns países, como a China.

Os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tiveram de ceder em alguns aspectos, mas obtiveram certas conquistas. O grupo era contra o uso da taxa de câmbio e da conta corrente, pois entendiam que as aplicações financeiras no exterior deveriam ser excluídas das análises por não representarem, necessariamente, um desequilíbrio.

Em contrapartida, os Brics conseguiram emplacar que as reservas internacionais não fossem tomadas como parâmetro de disparidade. Outra vitória dos emergentes é que os indicadores de desequilíbrios não significarão compromissos obrigatórios de ajustes para os países. "Não são metas", afirmou a ministra de Finanças da França, Christine Lagarde.

Commodities - O G-20 jogou para frente o debate sobre a regulação do mercado de commodities. A França vinha defendendo a imposição de regras para segurar os preços dos alimentos e encontrou oposição do Brasil.

O grupo decidiu estudar o assunto, com base em relatórios de organizações internacionais. Serão avaliados os mercados de commodities agrícolas e de energia, como petróleo, gás e carvão. O assunto deve voltar a ser debatido nos próximos encontros.

"Há grande convergência entre países desenvolvidos e emergentes na questão da volatilidade dos derivativos, mas devemos ir mais longe na questão da transparência e identificação dos estoques", disse Christine Lagarde.

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