Acordo é bom só para a Argentina, diz Abracex

Os acordos fechados entre as indústrias de Brasil e Argentina para adoção de cotas para as importações argentinas de fogões e geladeiras foram bons só para os argentinos, disse o presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Primo Roberto Segatto. "Eles ganham todas os conflitos", disse.O empresário teme que o acordo tenha contemplado apenas as exigências dos argentinos, que podem se sentir mais à vontade para tentar impor cotas também à importação de outros produtos, como máquinas agrícolas e calçados, por exemplo. Além disso, segundo Segatto, o resultado do acordo pode passar a impressão que o Brasil é um negociador "fraco". Segatto defende uma mudança na atitude do governo com a Argentina como, por exemplo, substituir as importações de petróleo e derivados dos argentinos pela Venezuela e as compras do trigo argentino pelo trigo canadense, russo ou norte-americano. "Podemos comprar de outros países com muito mais vantagens", disse.De acordo com levantamento da entidade, a Argentina teria muito mais a perder com eventuais retaliações brasileiras do que o Brasil com as barreiras argentinas à linha branca, têxteis e calçados. Isso porque, a pauta das exportações argentinas para o Brasil é concentrada (67,5%) em três itens (petróleo e derivados, trigo e autopeças). Se o Brasil substitui um ou dois fornecedores, causará um impacto forte nas vendas externas do parceiro do Mercosul. Nos últimos dez anos, a Argentina acumulou um superávit de mais de US$ 10 bilhões com o Brasil.

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