Acordo é medicina preventiva, disse Palocci aos petistas

Uma frente parlamentar composta por deputados do PT, PC do B, PDT e PSB, entre outros, lançará um manifesto com críticas contundentes ao FMI ainda hoje, na Câmara. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não teve tempo suficiente ontem à noite para dirimir todas as dúvidas dos deputados de seu próprio partido e prometeu que fará nova exposição sobre o tema na próxima semana. Garantiu, porém, a antigos companheiros do PT - hoje críticos ao acordo com o FMI - que este é como um "cheque especial", que somente será usado se for necessário.Ontem à noite, Palocci disse a deputados federais do PT que o novo acordo com o FMI é diferente dos acertos feitos no governo anterior porque o País, hoje, está em rota de crescimento. Médico sanitarista, o ministro recorreu a uma imagem hospitalar para caracterizar os termos da negociação. ?Ao contrário dos outros acordos, este não é de UTI, mas sim de medicina preventiva?, observou Palocci aos membros da bancada petista, durante jantar na casa do presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP).Em conversa de uma hora e meia com os companheiros de partido, Palocci disse esperar que este seja o último acordo com o FMI. ?Nossa expectativa é de que não seja necessário renová-lo para 2005?, observou. O ministro afirmou também que há uma folga no superávit primário, em torno de R$ 2,9 bilhões, que poderá ser usada para investimentos na área de saneamento básico, no próximo ano.?Uma coisa é ir para o FMI diante de uma quebradeira; outra, é ter um seguro?, afirmou o presidente do PT, deputado José Genoino, à saída do jantar. ?O clima é de diálogo e de superar as dificuldades.?Mesmo com o otimismo da maioria, Palocci enfrentou resistências e perguntas mais incômodas durante o encontro. Não sem motivo: o PT, quando era oposição, sempre foi contra todos os acordos com o FMI. ?Não queremos desligar o Brasil do sistema financeiro mundial, não somos malucos nem do PSTU?, disse o deputado Chico Alencar (PT-RJ), um dos que se opõem à renovação do acordo. ?Só achamos que não é necessário pedir esses aportes, que acabam tendo como contrapartida o monitoramento da economia e uma série de imposições.?

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