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Acordo elimina subsídios de aviões

Expectativa é que o entendimento encerre a disputa entre a brasileira Embraer e a canadense Bombardier

Adriana Chiarini, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2031 | 00h00

Rio - Um acordo internacional que reduz os custos dos governos nos financiamentos da exportação de aviões civis foi assinado ontem no Rio. A expectativa é que o acerto encerre dez anos de litígios entre Brasil e Canadá na Organização Mundial do Comércio (OMC), em razão da disputa entre a Embraer e a canadense Bombardier. Para o vice-presidente de Relações Internacionais da Embraer, Henrique Rzezinsky, o acordo acaba com subsídios e dá condições iguais de financiamento às empresas. "Sem subsídios, o financiamento deixa de ser fator de decisão ", disse ele, que considera isso "muito positivo" para a empresa brasileira.O acordo foi firmado no âmbito da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e abrange os maiores produtores de aviões do mundo, como Estados Unidos, sede da Boeing; União Européia, da Airbus, e Canadá, além de países como Japão, Austrália e Suíça. O Brasil não é membro, mas foi convidado a entrar no acordo. No futuro, China e Rússia, que têm projetos para exportação de aviões, serão convidadas a aderir.Os representantes dos governos evitaram a palavra subsídio ao divulgar o acordo. O embaixador do Canadá no Brasil, Guillermo Rishchynski, destacou que "clareza e previsibilidade são as palavras fundamentais". Também disse que agora haverá mais espaço na agenda bilateral para tratar de outros temas.Ele comentou que há aviões da Embraer que voam pela Air Canada em seu país. "Dia chegará também em que aviões canadenses vão voar em céus brasileiros."Com o acerto, os gastos dos governos nesse tipo de financiamento cairão, mas os juros pagos pelas empresas compradoras subirão, prevê o subsecretário-geral para Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty, ministro Roberto Azevedo. O acordo aproxima as condições de financiamento oficial das de mercado, dá mais transparência e previsibilidade e permite até a consulta entre os fabricantes sobre as condições oferecidas aos compradores. As negociações deram uma vitória ao Brasil: as condições diferenciadas de risco entre os países são reconhecidas e as regras de financiamentos discutidas após se descontar essa diferença. O risco do Brasil, único país em desenvolvimento entre os grandes fabricantes de avião, é a mais alto que o dos demais países. "O Brasil não iria participar de entendimento que nos colocasse em desvantagem nem iria impor aos outros os seus custo de capital", disse Azevedo.O secretário-geral da OCDE, José Angel Guría, ressaltou que a concorrência entre as empresas agora se dará não pelas condições de financiamento na venda, mas pela qualidade, o que é importante inclusive para a segurança. "Nós todos sabemos da importância dolorosa da segurança", afirmou. O documento é mais significativo para Brasil e Canadá. Ele não trata, por exemplo, de questões fundamentais nas disputas entre Airbus e Boeing, mais relacionadas com o financiamento do desenvolvimento de produtos.

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