Acordo entre China e Mercosul é ?meta importante?, diz embaixador

O embaixador da China no Brasil, Jian Yuande, afirmou que a proposta brasileira de discutir e concluir um acordo de livre comércio entre a China e o Mercosul é uma "meta importante" e que existe vontade política do governo chinês, mas acrescentou que a iniciativa "obviamente leva tempo". A China, segundo ele, já começou a estudar a possibilidade de um acordo comercial com os países da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático, composta pela Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Brunei, Vietnã, Mianmar, Laos e Camboja), com vistas à futura liberalização.Questionado se o fato de o Paraguai ? país que não tem relações diplomáticas com a China e que recebe substancial ajuda de Taiwan ? ser um dos sócios do Mercosul impediria a negociação do acordo entre o bloco e a China, o embaixador preferiu responder que o governo chinês está convencido de "uma solução adequada no futuro. "Podemos ter confiança nos esforços em outros meios. Isso não é o que dificulta (o acordo). Tudo precisa ser negociado", afirmou Yuande.Estratégia na parceriaO embaixador da China afirmou que seu país pretende dar um "impulso na parceria estratégica com o Brasil e na cooperação Sul-Sul?. Yuande, entretanto, teve o cuidado de explicar que, do ponto de vista da China, essa cooperação não tem viés antiamericano. "Queremos aumentar o poderio integral dos países em desenvolvimento, em geral, e estabelecer uma nova ordem política e econômica mais justa", afirmou.Yuande enfatizou ainda que a China mantém uma política de "amizade e de cooperação" com os Estados Unidos, voltada sobretudo para a redução das divergências e para evitar confrontações. "Dentro dos nossos princípios, queremos buscar mais pontos em comum que divergências nas nossas relações com os Estados Unidos", agregou.Brasil na ONUQuestionado sobre a campanha do governo Lula por um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), Yuande afirmou que a China vê essa possibilidade com "simpatia" e que está disposto a discutí-la com as autoridades brasileiras. A China é um dos cinco membros permanentes. "A China apóia que o Brasil tenha um papel maior na área internacional", declarou, esquivando-se de mencionar um apoio concreto ao pleito brasileiro no Conselho de Segurança.

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