REUTERS/Jon Nazca
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Acordo entre UE e Mercosul não sai e governo brasileiro já não crê em desfecho

Reunião entre ministros, nesta quarta-feira, 18, terminou sem consenso; novo encontro foi marcado para esta quinta-feira, 19

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2018 | 19h48

BRASÍLIA- Terminou sem consenso a reunião de ministros para discutir o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia nesta quarta-feira, 18, em Bruxelas (Bélgica). Com isso, um novo encontro, que não estava previsto na agenda inicialmente, foi marcado para esta quinta-feira, mas a avaliação de representantes do governo brasileiro é que dificilmente um acordo será fechado desta vez.

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De acordo com fontes do governo brasileiro, os representantes europeus se mostraram irredutíveis em relação às exigências feitas por eles para a área agrícola, como a determinação de cotas de importação de produtos como carne e etanol do Mercosul, o longo prazo de redução de tarifas e a cobrança de tarifas mesmo dentro das cotas.

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A proposta defendida pela União Europeia é praticamente a mesma apresentada em janeiro deste ano e as autoridades que participaram da reunião não demonstraram intenção de ceder, o que inviabilizaria um consenso, na visão dos integrantes do Mercosul.

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O governo brasileiro tinha esperanças de que ao menos um pré-acordo seria firmado neste encontro, com os principais pontos já fechados, faltando apenas o detalhamento técnico. Pode ter sido a última chance de bater o martelo no governo de Michel Temer. A preocupação é que, com o início da campanha eleitoral no Brasil, novas negociações não sejam possíveis e a conclusão do acordo fique para o próximo presidente.

Sete ministros dos países do Mercosul foram a Bruxelas com mandato político para fechar um acordo “equilibrado”, o que, para o bloco, significaria uma redução das exigências feitas pelos europeus na parte agrícola.

Segundo o Estadão/Broadcast apurou, os ministros do bloco sul-americano sinalizaram que poderiam melhorar a proposta já apresentada para temas em que os europeus exigiam maiores vantagens, como reduzir o prazo para zerar tarifas na venda de automóveis para o Mercosul.

Além disso, poderiam aceitar uma lista de produtos com denominação de origem. Com isso, produtos como queijo parmesão e conhaque só poderiam ser vendidos sob esses nomes se fossem feitos nas regiões europeias em que foram criados.

Os sul-americanos, no entanto, deixaram claro que qualquer movimentação nessas áreas estaria condicionada à melhora da proposta agrícola da comissão europeia. “Não encontramos a mesma disposição do lado europeu, o equilíbrio não existe. O cenário não é muito animador”, admitiu um dos participantes da reunião, sob condição de anonimato.

Os ministros do Mercosul viram como um sinal de que as negociações não avançariam o fato de o comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan, ter participado apenas da parte inicial da reunião, quando fez duas intervenções e deixou o local alegando outros compromissos.

O acordo entre os blocos sul-americano e europeu vem sendo negociado há cerca de 20 anos. Se o acordo realmente não for atingido desta vez, um cronograma de reuniões será definido entre os ministros que participam da reunião.

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