Acordo evidencia atraso da política comercial brasileira

A criação da Parceria Transpacífico, acordo comercial que une, entre outros, Chile, Peru, México, EUA, Canadá, Japão e Austrália, é um evento representativo do atraso em que se encontra a política comercial brasileira. Após muitos anos de negociação, o acordo serve de contraponto à influência crescente da China, com destaque para seu peso, principalmente, no leste asiático. A aproximação desses países, portanto, deve levar a ganhos mútuos em termos de eficiências de escalas, alocação de recursos e difusão tecnológica.

Bruno Lavieri, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2015 | 02h03

O Brasil, enquanto isso, segue preso ao Mercosul, bloco cujo principal interesse parece ser apenas político, uma vez que rende cada vez menos frutos no aspecto comercial. A ambição de se colocar como líder regional pode explicar a amarração a um grupo de países pouco promissores sob o ponto de vista do livre-comércio. O abandono, porém, da agenda de novos acordos, nos últimos anos, não pode ser justificada.

A preferência por políticas predominantemente protecionistas, domesticamente, e a meta de se tornar líder entre os países em desenvolvimento, o que explicaria os acordos assinados apenas com países de pouca relevância econômica, representam, hoje, um grande custo em forma de oportunidades perdidas. A Parceria Transpacífico, nesse aspecto, apenas acentua o potencial desperdiçado e a distância a percorrer para a recuperação dos mercados perdidos.

Com isso, mesmo que neste ano o governo já tenha sinalizado interesse em retomar a agenda dos acordos comerciais, o abandono do tópico nos últimos anos nos coloca em um atraso de vários anos, tendo em vista a lentidão com que normalmente caminham as tratativas. De qualquer forma, cresce a urgência para que o governo empregue maior esforço na direção da abertura comercial e na elaboração de novos acordos de livre comércio.

* Bruno Lavieri é economista da Tendências Consultoria

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