Acordo fica aquém do negociado entre empresários

O acordo entre Brasil e Argentina sobre fogões, que limita as exportações brasileiras em 90 mil unidades em 2004 e 47, 5 mil unidades no primeiro semestre de 2005, acabou ficando aquém do que estava praticamente fechado entre o setor privado dos dois países antes da crise.Segundo informara o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab, em 6 de junho, o acordo então em negociação caminhava para limitar os embarques de fogões para a Argentina a 95 mil unidades em 2004 - volume intermediário entre os 100 mil propostos pelo Brasil e os 90 mil defendidos pela Argentina.A Eletros, cuja coordenadora de Comércio Exterior, Maria Tereza Bustamante, representa o setor privado brasileiro nas negociações com os empresários argentinos, informou em nota sucinta que tem procurado conduzir os acordos de forma a atender os interesses da economia do Brasil. Ela diz ainda que seguiu a linha preconizada pelo governo brasileiro de "manter em evolução as relações comerciais entre os dois países". A Associação também preferiu não se pronunciar sobre o volume definido no acordo dos refrigerados. Informou apenas que "será criada uma comissão de trabalho que avaliará nos próximos 60 dias o comportamento do mercado argentino para definição das etapas seguintes".No mesmo 6 de junho, a entidade havia dito que "pelo fato de a Argentina depender da importação desses produtos, a indústria brasileira apresentou a proposta de uma cota de exportação de 310 mil refrigeradores e 191 mil lavadoras, números estes que foram definidos com base em estudo do mercado argentino realizado por organismos reconhecidos de estatísticas daquele país." No que se refere a máquinas de lavar roupas, a Eletros diz que as negociações para um acordo continuam na próxima semana.Interrupção de negociaçõesNo início do mês, quando a Argentina anunciou que imporia cotas a produtos da linha branca e elevaria para 21% a tarifa de importação para TVs produzidas na Zona Franca de Manaus, a Eletros reagiu com força. Saab disse, na ocasião, que "as medidas são injustificáveis e ferem as regras de livre comércio estabelecidas no âmbito do Mercosul, caracterizando uma lamentável posição de protecionismo argentino".Afirmou ainda que as medidas do governo argentino interromperam um processo de conversações que os fabricantes dos dois países vinham realizando desde o inicio do ano, com monitoramento dos respectivos governos.E finalizou: "É lamentável que o governo argentino tenha adotado uma visão imediatista e demonstre pouco compromisso com o Mercosul, não entendendo que, sem a definição de uma política industrial local, que promova a integração de cadeias produtivas, não será possível superar a oscilação entre uma estrutura produtiva envelhecida e medidas protecionistas".

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