Acordo na Europa deu alívio aos EUA

Para o consultor grego Stelios Zavvos, a economia mundial não conseguiria absorver uma dupla crise

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE/ WASHINGTON

O acordo entre a França e a Alemanha sobre a rolagem da dívida da Grécia, na semana passada, trouxe um alívio especial neste momento de incerteza sobre a suspensão de pagamentos do governo federal dos Estados Unidos.

De acordo com o consultor grego Stelios Zavvos, conhecido em Atenas por suas ligações com o megainvestidor George Soros, a economia mundial não conseguiria absorver o impacto de uma dupla crise, na Europa e nos Estados Unidos. Uma delas foi afastada, para o bem igualmente de Washington.

"A solução definitiva da crise grega dependerá agora da capacidade de o governo obter o apoio da oposição para aplicar o plano de ajuste fiscal aprovado em junho", avaliou Zavvos, da casa de Soros em Nova York, ao Estado. "Resolver esse capítulo da rolagem da dívida foi muito importante para a zona do euro e também para afastar riscos financeiros para os EUA."

Hoje, o ministro das Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, manterá reuniões com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, sobre a adoção do plano de corte de gastos públicos de 10 bilhões ao ano e de privatização.

Na semana passada, em Atenas, o governo do primeiro-ministro George Papandreou recebeu a consultoria dos economistas americanos Jeffrey Sachs e Joseph Stiglitz.

Prelúdio. Para Zavvos, a oposição conservadora grega precisará abandonar sua postura "nada construtiva" e formar um amplo consenso com o governo em favor da execução do plano, a partir de setembro.

Caso contrário, a própria sustentação política do governo Papandreou estará em xeque. A convocação de novas eleições, na opinião do consultor, poderia acentuar a instabilidade política e alimentar uma convulsão popular.

"Os gregos precisam entender que a Europa ofereceu o máximo que podia", afirmou Zavvos, referindo-se ao acordo entre França e Alemanha.

Conforme avaliou, o acordo entre a França e a Alemanha para a rolagem de 190 bilhões da Grécia, com taxa de juros menor do que os 5% desejados, deu uma "forte mensagem" de compromisso da zona do euro em não permitir o colapso de seus membros.

A iniciativa apaziguou os mercados, antes em pânico diante da perspectiva de suspensão dos pagamentos da dívida grega e foi o "prelúdio" da união fiscal europeia, disse Zavvos.

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