Acordo na OMC pode ressuscitar a Alca

O representante de Comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, acredita que o acordo assinado na Organização Mundial do Comércio poderá ajudar a ressuscitar os debates da Alca, pelo menos no capítulo sobre a agricultura. Para o chanceler Celso Amorim, qualquer decisão que signifique uma abertura comercial, como a da OMC, poderá ajudar o País em outras negociações. Segundo ele, porém, o Brasil não negociou o acordo de base da OMC pensando em resultados em outros fóruns.As negociações da Alca foram interrompidas há pelo menos dois meses e não existe agenda concreta de encontros para que os ministros façam avançar o processo diante dos impasses, como no setor agrícola. Zoellick, que reconhece que a agricultura é um tema "sensível" na Alca, aponta que se os países fazem avanços na OMC nesse tema o debate nas negociações hemisféricas serão "facilitadas". Para ele, "a relação de trabalho (na Alca) pode melhorar".Amorim também reconhece que, com os temas relacionados aos subsídios mapeados no acordo da OMC, as negociações regionais poderiam ficar mais "tranqüilas", principalmente sobre acesso a mercados para produtos agrícolas. "Uma coisa é negociar quando teu parceiro está subsidiando tudo. Outra coisa é sabendo que ele vai ter que diminuir e eliminar", afirmou o chanceler.Mas tanto Amorim como Zoellick deixam claro que o acordo da OMC não será suficiente para que as negociações da Alca voltem a ter o mesmo ritmo. "Além de agricultura, temos outros desafios, como propriedade intelectual", disse o norte-americano. Já Amorim deixou claro que a prioridade do Brasil era a OMC. "Esse acordo é o mais importante que poderia ocorrer", afirmou.

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