Acordo na OMC pode tirar 144 milhões da pobreza, diz Bird

O acordo alcançado sábado, em Genebra, entre 147 países da Organização Mundial do Comércio (OMC), que marca as linhas gerais para a abertura do comércio mundial nos próximos anos, pode estimular o crescimento econômico, aumentar os investimentos e resgatar da pobreza pelo menos 144 milhões de pessoas antes de 2015, de acordo com estimativas do Banco Mundial (Bird).Os especialistas do organismo multilateral de financiamento estimam que o acordo mantém a esperança de conseguir um pacto para diminuir as tarifas de importação sobre produtos industrializados e agrícolas, um corte nos subsídios que os países ricos concedem aos agricultores e ainda um intercâmbio internacional de serviços. "Os obstáculos que as nações ricas impõem aos produtos que exportam os países em desenvolvimento tem dificultado suas oportunidades de ganhar novos mercados", diz o Bird no documento "Perspectivas Econômicas Globais 2004: fazer realidade a promessa de desenvolvimento da Agenda de Doha".Segundo o texto, "em média, os pobres que vivem com US$ 2 por dia, ou menos do que isso, enfrentam o dobro de barreiras comerciais que os ricos". De acordo com os cálculos do Bird, "os subsídios das nações desenvolvidas a seus agricultores superam o PIB da África e excedem em até seis vezes o total da ajuda externa". Se até dezembro de 2005 - data da próxima reunião ministerial em Hong Kong - o acordo for ratificado, nascerá um cenário preparado para um novo tratado sobre procedimentos aduaneiros, que não foi atualizado desde a década de 40. Mas a maior novidade do acordo é o lançamento de negociações para facilitar o comércio ou apressar os trâmites aduaneiros. Isso permitirá reduzir a demora nos embarques, que, de acordo com estimativas de especialistas, aumentam em pelo menos 5% o custo dos negócios em alguns países.O acordo estabelece ainda a base para as negociações que tendem a reduzir substancialmente as tarifas para produtos industrializados, que totalizam mais de 75% do comércio mundial de mercadorias. Da mesma forma permite aos países desenvolvidos e em desenvolvimento designar um número determinado de produtos considerados sensíveis, com o qual poderão continuar protegendo com tarifas mais elevadas.Em relação aos subsídios agrícolas internos, o acordo sugere que a União Européia e o Japão, que gastam muito mais dinheiro que os Estados Unidos, terão de realizar os maiores cortes.

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