Acordo na OMC precisa incluir recurso para alimentos, diz Lula

Em encontro em Lisboa, presidente diz que pobres sofrem no 'estômago' com as 'práticas desleais' do comércio

Leonencio Nossa e Jair Rattner, de O Estado de S. Paulo,

25 de julho de 2008 | 12h42

Num momento de impasse entre países emergentes e desenvolvidos na Organização Mundial do Comércio (OMC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou nesta sexta-feira, 25, que só haverá conclusão satisfatória da Rodada Doha se os ricos aumentarem os investimentos na produção de alimentos na América Latina e na África e eliminarem os subsídios agrícolas.   Veja também: Rodada Doha: entenda o que está em jogo em Genebra UE oferece ao Brasil acordo sobre etanol na OMC 'Próximas 24 horas são cruciais', diz diretor-geral da OMC Brasil terá que convencer Índia e Argentina por acordo na OMC Entenda a crise dos alimentos    Em discurso na reunião fechada do sétimo encontro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, Lula, segundo relato de diplomatas presentes, disse que é preciso um entendimento que leve em conta as populações que sofrem no "estômago" com as "práticas desleais" do comércio. "Uma solução estrutural para a questão exige ações em diferentes frentes", disse o presidente. "De um lado, direcionando recursos para a produção de alimentos nos países pobres e de outro, eliminando práticas desleais que caracterizam o comércio agrícola mundial."   Ele propôs a dirigentes de outros sete países que falam português a entrarem na briga pelo fim dos subsídios agrícolas. "Após anos de dependência de alimentos importados e de lutar contra o protecionismo praticado pelas nações desenvolvidas, muitos países abandonaram suas agriculturas", disse Lula, ainda segundo diplomatas que acompanham o encontro dos chefes de governo e Estado dos oito países de língua portuguesa, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.   Petróleo   O presidente brasileiro falou também sobre o aumento do petróleo e conseqüentemente dos fertilizantes e dos fretes e da melhoria da renda nos países pobres como causas da crise de desabastecimento. Lula voltou a criticar analistas que associam a falta de alimentos à política de expansão do etanol. "Vejo com espanto as tentativas de vincular o desenvolvimento dos biocombustíveis à escassez de alimentos ou ao aumento de seus preços", afirmou. "No Brasil a produção de etanol à base de cana de açúcar não reduz nem invade a área de produção de alimentos", completou. "É preciso deixar claro que os biocombustíveis não ameaçam a segurança alimentar."   No discurso, o presidente avaliou que a crise atual resulta de uma combinação de fatores e não admite "explicações simples". "Há mais pessoas comendo nos países em desenvolvimento, o que é positivo, mas há também a quebra de colheitas", disse. "Essa conjunção de fatores pegou muitos países desprevenidos e despreparados", completou. "É preciso um acordo que deixe de tratar o comércio agrícola como uma exceção às regras."

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