Acordo no TST fracassa e greve nos Correios continua

Paralisação completa 15 dias com adesão em 21 Estados mais o DF; nova audiência foi marcada para esta quinta

Solange Spigliatti, do estadao.com.br, e Isabel Sobral, da Agência Estado,

15 de julho de 2008 | 10h44

A segunda audiência de conciliação entre funcionários em greve e dirigentes da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), realizada na manhã desta terça-feira, 15, no Tribunal Superior do Trabalho (TST), em Brasília, não chegou a nenhum acordo. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Rider de Brito, propôs a exclusão dos carteiros do plano de cargos e salários de 2008, o pagamento do adicional de 30% como gratificação aos carteiros incidindo sobre o salário base, mas proporcional às horas de trabalho externo. A proposta ainda inclui a proibição à diretoria da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) de demissão por 60 dias (a contar de 18 de julho) e a autorização para que a estatal corte apenas 50% dos dias parados dos grevistas O presidente do TST deu prazo de dois dias - até 17 de julho - para que a ECT e trabalhadores se manifestem sobre a proposta. Se não houver acordo, o tribunal iniciará o julgamento do dissídio em que decidirá sobre a legalidade da greve. Nesta terça, foi sorteado o ministro Maurício Godinho Delgado para relatar o dissídio. A assessoria do TST explicou que a partir de agora o relator já começa a se informar sobre o movimento e as reivindicações para apresentar seu relatório ao órgão especial do TST encarregado do julgamento.  Dirigentes da Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Fentect) informaram à Agência Estado que a entidade pretende anunciar nesta quarta-feira, até as 18 horas, uma posição formal sobre a nova proposta. Os dirigentes, que pediram para não ser identificados, afirmaram que a proposta do ministro Brito "é precária", mas afirmaram que os funcionários da ECT confiam na disposição dele de encaminhar à empresa uma contraproposta mais próxima das reivindicações dos trabalhadores.  Por meio de sua assessoria, a direção da ECT informou que também vai analisar a proposta para dar uma resposta ao presidente do TST dentro do prazo fixado por ele, que é de dois dias. A primeira proposta colocada na mesa de negociação pelo TST, na semana passada - bastante parecida com a nova - já havia sido aceita pela direção da empresa. Paralisação A paralisação completou 15 dias nesta terça, atingindo 21 Estados e o Distrito Federal, com adesão, segundo a ECT, de 18% do total de 108 mil funcionários e de 27% considerando a categoria dos carteiros, que são 53 mil. De acordo com balanço da ECT divulgado na segunda-feira, nas duas semanas de greve 108 milhões de correspondências ainda não foram entregues, representando 36% dos 300 milhões de correspondências postadas desde 1º de julho, quando foi iniciada a paralisação. No caso das encomendas, das 7,3 milhões postadas desde o dia 1º, pouco mais de 5%, significando 350 mil, não chegaram ao destinatário. A categoria pede adicional de 30% do salário por periculosidade e revisão no plano de carreira e no programa de participação nos lucros. Nem o TST nem a ECT tinham detalhes da reunião e sobre a nova proposta da empresa.

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