Acordo para o gás corrige grave dano, diz jornal boliviano

O acordo sobre o preço do gás boliviano enviado ao Mato Grosso, firmado na noite de quarta-feira, 14, após reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Evo Morales, em Brasília, ganhou destaque na imprensa da Bolívia nesta quinta-feira. Para o diário El Deber, de Santa Cruz de la Sierra, o aumento do preço do gás ?corrige um grave dano ao Estado?, ao adequar o preço do produto às circunstâncias atuais do país e do mercado internacional, o que não acontecia com o contrato anterior, que previa a venda do gás fixado a um preço baixo por um longo período. El Mundo, também de Santa Cruz, comenta que o acordo na noite anterior ?resolveu um assunto espinhoso que provocou diferenças profundas entre os países no ano passado?.Segundo o jornal, o aumento de mais de 285% no preço do gás boliviano enviado ao Mato Grosso representará ?uma receita adicional milionária ao país?, estimada em US$ 44,9 milhões por ano.Nova etapaPara o jornal El Diário, de La Paz, o acordo ?abre uma nova etapa na relação bilateral com o Brasil?, mas ainda ?deixa pendente de solução a demanda principal da Bolívia, o aumento do preço do gás bombeado ao mercado de São Paulo, algo que a petroleira estatal brasileira se nega a aceitar?.Em Cochabamba, o diário Los Tiempos observa que as negociações com Lula levaram Morales a ampliar sua estadia em Brasília, inicialmente prevista para durar apenas algumas horas.O jornal comenta ainda que a presença de 92 alunos de uma escola local na recepção oficial a Morales causou constrangimento inicial na comitiva boliviana, depois de o chanceler brasileiro, Celso Amorim, ter supostamente classificado de ?infantil? o condicionamento da visita de Morales à negociação sobre o gás. Segundo a reportagem, a explicação de que a presença de estudantes é praxe nas recepções oficiais a autoridades estrangeiras serviu para acalmar os ânimos entre as autoridades bolivianas.Vitória parcialO jornal argentino La Nación também noticiou o acordo com destaque, dizendo que ?o presidente Evo Morales conseguiu ontem uma vitória parcial em sua visita ao Brasil?, com o acordo sobre o gás enviado a Cuiabá, que representa ?uma porção minoritária do fluido que o país andino exporta ao vizinho?.O diário comenta que ?a conquista boliviana? foi conseguida após um dia marcado por atrasos da comitiva de Morales, que desorientou a equipe do Itamaraty responsável pelo cerimonial e provocou a remarcação do horário para a assinatura dos acordos por sete vezes ao longo do dia.O jornal espanhol El País observa que a visita de Morales ocorreu em meio à tensão gerada pela insistência do governo boliviano em negociar um aumento para o preço do gás que vende ao Brasil.A reportagem comenta que Lula, apesar de ?receber seu colega boliviano com simpatia e benevolência, porque representa, como costuma repetir, ?o país mais pobre da América do Sul?, às vezes se irrita com seu ?companheiro e amigo??, mas diz que essa irritação é passageira.Segundo o jornal, Lula ?considera certas exigências de Morales como inexperiências diplomáticas, e basta uma ligação telefônica, como desta vez, para resolver o problema?.

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