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Acordo prevê crédito em moeda local

Bancos de desenvolvimento dos membros do Brics vão poder conceder financiamentos a suas empresas dentro dos outros países

João Villaverde, Adriana Fernandes, Lisandra Paraguassu , O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2014 | 02h04

FORTALEZA - Os bancos de desenvolvimento dos cinco países do Brics fecharam um acordo de financiamento em moeda local para projetos de investimentos entre os países. Segundo o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, a decisão foi tomada ao longo das reuniões realizadas com seus pares de China, Índia, Rússia e África do Sul.

"Dentro dos limites bancários, poderemos dar um limite de operações a bancos estrangeiros, como já existe. Qualquer banco estrangeiro no Brasil pode receber um limite nosso para operar como repassador de recursos do BNDES, desde que nós tenhamos uma reciprocidade, quer dizer, que ele nos permita conceder apoio a empresas brasileiras em seu país de origem", disse o presidente do BNDES.

"Para financiar investimento direto isso é muito importante", afirmou. "Como as receitas da empresa que faz os investimentos serão em moeda local, o financiamento na mesma moeda é muito bom, e isso facilita também a internacionalização cruzada das empresas." Por "internacionalização cruzada", Coutinho explicou se tratar das empresas dos cinco países, que poderão crescer suas operações entre os integrantes do Brics com a medida.

Coutinho afirmou que não haverá necessidade de aportes adicionais do Tesouro Nacional ao BNDES de forma a garantir essa nova modalidade de financiamento, no âmbito do Brics. "O BNDES pode fazer captações externas (venda de títulos de dívida no exterior), temos esse tipo de operação já estabelecida no banco", disse ele.

Competição. Ao final da reunião de líderes, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o BNDES não sofrerá competição com o Novo Banco de Desenvolvimento, o "banco do Brics", que teve sua criação aprovada ontem por todos os integrantes do bloco político.

"São atividades complementares. Os bancos que existem hoje, públicos e privados somados, não dão conta de todo o financiamento que será necessário para a área de infraestrutura, então o banco do Brics vai complementar esse espaço", afirmou Mantega. "No máximo, haverá uma concorrência saudável, com uma empresa procurando cada banco em busca da melhor taxa de juros."

Além do acordo entre bancos de desenvolvimento para a criação de linhas de financiamento em moeda local e da constituição do Novo Banco de Desenvolvimento, os líderes do Brics definiram a criação de fundos especiais, que serão associados ao novo banco.

Esses fundos serão voltados a financiamentos específicos e vão exigir aportes adicionais aos US$ 50 bilhões que darão início ao banco do Brics, que ficará responsável, no entanto, pela administração desses recursos. O primeiro fundo especial será voltado ao financiamento para elaboração de projetos, uma área da engenharia considerada falha na maior parte dos países que integram o bloco. Mantega, no entanto, afirmou que os valores envolvidos nesses fundos especiais não foram definidos ainda.

Coutinho também informou que o Brics fechou acordo para facilitar as garantias que as empresas dão nos investimentos. Segundo ele, o acordo foi costurado pela Agência Brasileira de Garantias (ABGF).

Questionado se poderia ser um dos nomes que serão indicados pelo governo brasileiro para ocupar a presidência do conselho de administração do banco do Brics ou ainda a presidência do próprio banco, que o Brasil assumirá dentro de cinco anos, depois da Índia, Coutinho foi enfático: "De forma alguma, isso não foi cogitado e minha missão é apenas o BNDES". Coutinho preside o BNDES há mais de sete anos, o segundo maior tempo de permanência à frente do banco de fomento desde sua fundação, em 1953.

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