Acordo prevê que zona do euro ajudará Grécia 'se necessário'

Plano acertado por líderes do grupo, no entanto, não prevê plano específico de ajuda financeira.

Marcia Bizzotto, BBC

11 de fevereiro de 2010 | 17h23

Um plano de ajuda econômica à Grécia, formulado por líderes da União Europeia nesta quinta-feira em Bruxelas, se limitou a uma declaração de apoio político e a um compromisso de tomar medidas coordenadas se for preciso.

"Os países-membros da zona do euro adotarão medidas coordenadas e contundentes, caso necessário, para salvaguardar a estabilidade financeira do grupo", diz a declaração conjunta dos 16 países lida pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy.

A declaração, no entanto, não prevê nenhum plano específico de ajuda financeira e afirma que o governo grego não teria solicitado esse tipo de apoio - uma explicação para o caráter meramente político da ajuda oferecida pelo resto do bloco.

"Uma ajuda financeira não estava na agenda porque o governo grego não pediu tal ajuda. E se o governo grego não pediu nenhuma ajuda financeira é porque ele acredita que é capaz de cumprir com suas obrigações", disse o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, em coletiva ao final da cúpula.

Déficit

O déficit público da Grécia, de 12,7% do PIB, é mais de quatro vezes maior do que o permitido pelas regras da zona do euro impostas aos 16 países da União Europeia que adotam a moeda.

Diante desse cenário, o temor de que o país não será capaz de pagar uma dívida de mais de 16 bilhões de euros, que vence entre abril e maio, vêm causando preocupação entre os investidores.

Como consequência, o euro sofreu esta semana uma forte desvalorização, e as bolsas de Espanha e Portugal, países que enfrentam problemas estruturais similares aos gregos, despencaram.

"Este é um acordo que traduz uma vontade política clara e é o que precisávamos agora", afirmou Van Rompuy, sobre o anunciado nesta quinta-feira.

O acordo foi elaborado em uma reunião que antecedeu a Cúpula da União Europeia. Além de Van Rompuy, estavam presentes os líderes da França, Alemanha, Espanha, Grécia e o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet.

A reunião desta quinta-feira tinha sido convocada no ano passado por Rompuy para discutir uma nova estratégica de crescimento e de empregos para a UE, mas o problema grego e o risco que representa para todo o bloco acabaram tomando conta da agenda do encontro.

Exigências

Os demais países da zona do euro expressaram o apoio "aos esforços do governo grego e ao compromisso de fazer tudo o que for necessário" para cumprir os objetivos determinados por seu plano de austeridade fiscal.

Em troca, as autoridades exigem que a Grécia aplique todas as medidas com rigor e determinação, a fim de reduzir efetivamente o déficit público em quatro pontos percentuais em 2010 - como prevê o plano do governo grego.

"A Comissão Europeia (órgão Executivo da UE) observará atentamente o cumprimento dessas recomendações, em contato com o Banco Central Europeu, e sugerirá medidas adicionais caso seja necessário", diz a declaração.

Além disso, o texto ainda pede que os ministros de Economia do bloco apresentem novas recomendações à Grécia durante a reunião que celebrarão em Bruxelas na próxima terça-feira.

Um programa de austeridade fiscal elaborado pelo governo grego, que inclui medidas como o congelamento dos salários dos funcionários públicos e o aumento da idade de aposentadoria, não conta com a simpatia da população.

Na quarta-feira, o país se viu paralisado devido a uma greve nacional de servidores públicos em protesto contra essas medidas. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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