Acordo sobre dívidas da Varig pode sair em até 60 dias

O presidente do conselho administrativo da holding FRB-Par, Gilberto Rigoni, disse hoje que tem "fundadas esperanças" na conclusão de um acordo para securitizar as dívidas da Varig em 45 a 60 dias. A proposta, que envolveria 1,5 bilhão de euros e seria uma saída alternativa para a crise financeira da companhia aérea, foi apresentada hoje por Rigoni à Comissão de Representação Externa da Assembléia gaúcha. "É negócio muito grande para ser resolvido em poucas horas", justificou, sobre o andamento do plano. O acordo está baseado em uma licença de lavra de ouro em Goiás, que serviria como garantia da operação. A jazida, pertencente à Mineração Missões Ouro Fino, pertence à família proprietária da empresa desde 1875, segundo o consultor independente César Palmeira, contratado pela FRB-Par Investimentos para negociar a operação. Palmeira, que também expôs o plano aos deputados, defendeu a viabilidade da operação, vista com ceticismo por alguns parlamentares.Avaliação dentro de 15 diasRigoni afirmou que o plano para securitizar as dívidas da Varig está tendo bom andamento. Como indicativo disso, Palmeira mencionou que um perito indicado pelo banco europeu, que seria o controlador da operação, virá ao Brasil dentro de 15 dias. Segundo Palmeira, ele fará um laudo sobre os documentos referentes à garantia oferecida. Palmeira afirmou que a jazida, numa área de 715 hectares, ainda não foi explorada e tem sua licença renovada a cada dois anos. Seu potencial ficaria entre 2 e 5 mil toneladas de ouro, durante o período de extração, que não foi especificado.O consultor descreveu que o banco - cujo nome não foi revelado - faria a certificação das garantias em Londres. A operação permitiria lançar no mercado europeu apólices de seguro e, além do banco garantidor, envolveria outras seis instituições financeiras. MudançasEm troca da injeção de recursos, a composição acionária da FRB-Par, controladora da Varig, seria modificada. O acordo teria uma cláusula de gestão compartilhada entre a Fundação Ruben Berta, com 50%, e o restante seria composto entre o avalista e os bancos participantes, descreveu o consultor. Depois do saneamento, a Fundação Ruben Berta teria preferência para adquirir novamente as ações transferidas aos sócios. A vantagem para o avalista, segundo Palmeira, é que ele receberia ações com deságio e seria beneficiado com a valorização futura dos papéis.

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