Acordo sobre o câmbio no G-20 é cada vez mais difícil

O clima de cooperação que marcou o esforço do G-20 na superação da crise global, quando todos estavam no mesmo barco, desapareceu. Como nenhum país quer sua moeda valorizada neste momento de retomada, especialistas veem dificuldade em obter um acerto firme. A ausência do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é encarada pela imprensa internacional como mais um sinal de que o G-20 está desacreditado para tratar do tema.

Análise: Daniela Milanese, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2010 | 00h00

As desavenças sobre o câmbio ficam cada vez mais claras. Além do eterno atrito entre os Estados Unidos e a China, diversas autoridades vieram a público nos últimos dias para esquentar o debate. Mesmo depois de intervir para segurar o iene, o Japão chegou até a questionar a liderança do grupo exercida este ano pela Coreia do Sul, um dos tantos países que buscam combater a valorização cambial.

O G-20 está bem longe de atingir resultado semelhante ao obtido em setembro de 1985 pelas cinco maiores economias no G-5. Na ocasião, EUA, Japão, Alemanha, França e Reino Unido fecharam um acerto para desvalorizar o dólar, como resposta aos déficits americanos. Ao concordarem com o movimento, esses países selaram o Acordo Plaza, que se tornaria uma lendária referência para o câmbio mundial. Desta vez, especialistas não veem possibilidade de consenso no G-20.

A China provocou choque nos mercados ao elevar os juros nesta semana. O momento da inesperada medida poderia levantar perspectivas de que o país estaria apto a algum tipo de acerto no G-20 - o dólar reagiu com alta à iniciativa, embora momentânea. Mas os analistas concluíram que o alvo é o aquecimento do setor imobiliário, e não o envio de sinal político para as autoridades do grupo.

Resta ao G-20 a possibilidade de causar grande surpresa, assim como fez em abril de 2009. Quando o mundo estava atolado numa das maiores crises financeiras da história, o grupo provocou reviravolta com a cifra de US$ 1 trilhão para ajudar a economia global. Ninguém esperava isso do encontro de cúpula realizado em Londres. Acredita-se que somente uma ação firme, global e coordenada poderia reverter a trajetória de queda do dólar.

É CORRESPONDENTE EM LONDRES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.