Acordos flexíveis para Alca geram dúvidas entre especialistas

A inesperada aproximação entre o Brasil e os Estados Unidos em defesa de um novo acordo que prevê uma Área de Livre Comércio (Alca) mais limitada e flexível do que foi idealizada há oito anos em Miami, durante a primeira reunião de cúpula liderada pelo então presidente norte-americano Bill Clinton, é um bom sinal para destravar as negociações comercias entre os 34 países e avançar rumo ao maior bloco comercial do planeta. Mas o resultado ainda é incerto e gera dúvidas, avaliam alguns dos especialistas brasileiros sobre o tema.O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Antônio Corrêa de Lacerda, acredita que a proposta de uma Alca "light", mais flexível, é muito mais pragmática do que aquela abrangente defendida até então pela Casa Branca. Essa (proposta norte-americana), "representava, para o Brasil, uma amarra muito grande para seu desenvolvimento industrial". Lacerda acredita, no entanto, que é necessário aguardar o resultado de Miami.O presidente da Associação de Empresas Brasileiras para a Integração de Mercados (Aadebim), Michel Alaby, questionou o resultado da "flexibilização" para negociar isoladamente os temas mais complexos. Ele acredita que se a idéia é buscar consenso em temas mais fáceis, os mais complexos poderão atrapalhar países com maior nível de desenvolvimento, como o Brasil. Negociação por etapasO presidente da Coalizão Empresarial Brasileira, grupo de empresários coordenados pela CNI, Osvaldo Douat, avalia que, apesar das divergências que ainda precisam ser acertadas, a Alca é importante para a economia brasileira. Por isso, segundo ele, a Coalizão Empresarial defende negociações em torno dos temas em que já há certo consenso, deixando itens mais polêmicos para outras etapas.

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