Acordos garantem aumento real dos salários

Mais de 85% das negociações salariais no ano passado foram concluídas com reajuste acima da inflação oficial, segundo levantamento do Dieese

WLADIMIR DANDRADE, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2012 | 03h04

Balanço divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que 86,8% de 702 acordos salariais fechados em 2011 conseguiram reajuste acima da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). De acordo com o levantamento, 7,5% dos acordos apenas repuseram a inflação e 5,7% ficaram abaixo do INPC do período negociado.

O Balanço das Negociações dos Reajustes Salariais em 2011 apresentou leve queda sobre o resultado de 2010. Os acordos que conseguiram ganho real em 2010 chegaram a 88,2% do total. Os que empataram com a inflação foram 7,4% e os que perderam do INPC, 4,4%. Mesmo com a pequena redução, o desempenho foi superior a 2008 e 2009.

Na distribuição por setores econômicos, o maior porcentual de ganhos reais foi verificado no comércio, onde 97,3% dos acordos ficaram acima do INPC. Logo depois vieram a indústria, com 90,4% de reajustes reais, e serviços, com 76,3%.

Apenas repuseram a inflação, em 2011, 11,9% dos acordos em serviços, 6,5% na indústria e 1,8% no comércio. Tiveram perda real no salário 11,9% dos acordos em serviços, 3,1% na indústria e 0,9% no comércio.

O levantamento revela ainda que na indústria três setores conseguiram ganhos reais em 100% dos acordos fechados em 2011: construção e mobiliário, extrativista e papel, papelão e cortiça.

O setor de construção e mobiliário, de acordo com o balanço, também foi o que conseguiu o melhor aumento real médio - de 2,23% -, seguido pelo setor metalúrgico, mecânico e de material elétrico (2,04%). A indústria como um todo obteve aumento real médio de 1,54%, levando 2011 ao segundo melhor desempenho desde 2008.

Já o setor de serviços apresentou em 2011 uma queda em relação a 2010 no total de acordos negociados com ganho real. A proporção baixou de 82,2% para 76,3%, primeira queda desde 2008. O ganho real médio também caiu, de 1,46% para 1,05%.

Entre dez atividades do setor de serviços, o menor aumento real médio ficou com comunicações, publicidade e empresas jornalísticas: 0,27%. O maior com turismo e hospitalidade: 1,83%.

De acordo com o coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre, historicamente os ganhos reais do setor de serviços ficam atrás dos obtidos pela indústria e pelo comércio. Mas no ano passado a inflação em alta também colaborou para reduzir o ganho real do setor de serviços, o que puxou a média geral para baixo. "Serviços tradicionalmente têm ganhos menores porque formam um setor muito pulverizado, que emprega mão de obra pouco qualificada e, por isso, tem menos organização sindical", afirmou.

Expectativa. Segundo Silvestre, uma inflação menor que os 6,5% do IPCA de 2011 e o impulso da atividade econômica prevista para este ano criam um cenário favorável aos trabalhadores na mesa de negociação. "Apesar da crise internacional e do processo nacional de desindustrialização, que serão argumentos usados pelas empresas, não tem nada que indique um recuo em termos de ganho real nas negociações salariais deste ano", afirmou.

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