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Acordos salariais injetam R$ 193 mi na economia do PR

Os acordos salariais obtidos pelos metalúrgicos do Paraná com as montadoras Renault, Volkswagen e Volvo devem injetar cerca de R$ 193 milhões na economia do Estado nos próximos 12 meses. O cálculo é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), após acordo com a Volkswagen, a última empresa em que os trabalhadores mantinham paralisação. Eles conseguiram os mesmos 10,08% de reajuste salarial e abono de R$ 4,2 mil já acertados com as outras duas montadoras.

EVANDRO FADEL, Agencia Estado

22 de setembro de 2010 | 16h56

"Os trabalhadores fizeram bons acordos, mas quem ganha é a sociedade como um todo, pois novos recursos entram no mercado, o consumidor gasta mais e empregos são gerados", disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sérgio Butka. Ele acentuou que este ano os avanços foram maiores que os conseguidos no ano passado. "E tivemos menos conflitos", completou. "A situação econômica e a maior demanda por veículos facilitaram." O sindicato passa agora a negociar os reajustes para os cerca de 20 mil trabalhadores em empresas de autopeças.

De acordo com o Dieese, ao se analisar um salário médio de R$ 2 mil, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) representa impacto de 33% a mais de recursos no mercado, com R$ 95,4 milhões. Os abonos salariais colocarão mais R$ 44,5 milhões, com impacto de 15%. E o acordo salarial, com aumento real de 5,55%, colocará R$ 53,3 milhões no mercado. "Representa um incremento de 55% a mais que a inflação no bolso do trabalhador", afirmou o economista do Dieese, Cid Cordeiro.

Ele avaliou que o aumento não provocará mais inflação. "A produtividade, escala de produção e nível de eficiência das empresas têm aumentado e o reajuste é só uma transferência disso ao trabalhador", afirmou. "O reajuste está, na verdade, sustentando o crescimento do Brasil." Segundo o Dieese, o salário representa 8,5% no custo de produção das montadoras e apenas 4,5% no custo total.

De acordo com o sindicato, os pisos salariais no Estado foram fixados em R$ 1.520,92 na Renault e na Volvo, e em R$ 1.497,09 na Volkswagen. Mas, segundo Butka, mesmo tendo um dos maiores pisos salariais do setor no País, o metalúrgico paranaense ainda ganha cerca de 40% a menos que a média de um trabalhador do ABC paulista. Dados do sindicato apontam que a média salarial do metalúrgico paulista estaria em R$ 3,2 mil, enquanto o do paranaense seria de R$ 2,2 mil.

Os 10,6 mil metalúrgicos paranaenses representam 10% dos trabalhadores do setor automotivo do País. Eles deverão produzir este ano mais de 400 mil veículos, ultrapassando os 350.678 produzidos no ano passado. Com isso, a expectativa é que a participação paranaense no mercado nacional passe de 11% para 12,5%.

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